O capitalismo está podre. Todos sabemos disso. Mas ele não cai sozinho, ele não morre de morte natural. Precisamos aliar o antifascismo e o antimperialismo ao internacionalismo proletário, e assim somar forças para construir o socialismo. Faça a sua parte. A FRENTE REVOLUCIONARIA DOS TRABALHADORES-FRT, busca unir os trabalhadores em toda sua diversidade, e formar o mais forte Movimento Popular Revolucionário em defesa de todos e construir a Sociedade dos Trabalhadores - a SOCIEDADE COMUNISTA!
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023
O ESCÂNDALO DAS AMERICANAS * Carlos Santana.RJ
segunda-feira, 23 de janeiro de 2023
Novos tempos para o sindicalismo brasileiro * Carlos Santana - RJ
segunda-feira, 16 de janeiro de 2023
FRENTE AMPLA CARIOCA CONTRA O FASCISMO * Carlos Santana / RJ
terça-feira, 10 de janeiro de 2023
RESPEITO ÀS NOSSAS RAÍZES AFRICANAS * Carlos Santana - RJ
terça-feira, 3 de janeiro de 2023
Pelé: uma representação além do futebol * Carlos Santana - RJ
Pelé: uma representação além do futebol
O ano de 2022 termina não só com o fim do processo de destruição do Brasil sob o governo de Bolsonaro, mas também com a perda física do nosso Rei do Futebol: Pelé, aos 82 anos, nos deixou no dia 29 de dezembro. Falamos de sua ausência física pois sabemos que seu nome e sua presença ultrapassam as questões materiais, uma vez que Pelé ultrapassou as barreiras do esporte, e como maior atleta do século XX fez do Brasil um país reconhecido internacionalmente.
Às portas do ano que se inicia, também teremos o retorno de Lula à nossa presidência. Ter em tão curto espaço de tempo a perda de Pelé e a posse de Lula nos leva a se envolver em questões fundamentais para reflexão a respeito de nosso povo brasileiro. É porque Pelé sintetiza a luta de um povo em sua busca por reparações históricas a partir de um esporte que no Brasil, nos primeiros anos do século XX, era apenas praticado por uma elite econômica e burguesa nas principais cidades do país.
Ao levarmos em consideração as conquistas do Rei com a bola nos pés, abrimos nossos olhos para as referências do movimento de luta contra o racismo no Brasil ao longo dos anos que se sucederam após a Abolição. Logo o futebol, que viu brotar no ano de 1904 em Bangu, um bairro operário da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, o Bangu Athletic Club - assim mesmo, escrito em inglês por conta de sua diretoria ser parte britânica -, um clube de operários da fábrica de tecidos local e que, conta a história, foi palco não só da primeira partida de futebol no país e da chegada da primeira bola, como também foi o primeiro time da modalidade a ter em seu elenco um homem negro.
Ainda nos subúrbios cariocas também vimos o Vasco da Gama, em 1923, levar o campeonato carioca daquele ano, tendo em seu esquadrão jogadores negros. Times das elites cariocas, como América, Flamengo, Fluminense e Botafogo, que jogavam apenas com jogadores brancos, sucumbiram diante dos Camisas Negras. Fizeram história e tornaram-se referência para além dos gramados em um momento em que a questão racial no Brasil ainda era fortemente marcada pelos preconceitos e estereótipos herdados dos mais de três séculos de escravidão.
A morte de Pelé cai sobre nossas vidas em um momento importantíssimo para as políticas raciais no Brasil. Em 2023 será debatida a prorrogação da Lei de Cotas nas universidades do país, tendo como proposta sua ampliação da aplicação para mais 50 anos. Por isso, a importância de refletirmos da representatividade de Pelé ao pensarmos a reconstrução de nosso país após essa temporada de desmonte, uma vez que temos ciência de toda sua importância até mesmo a nível diplomático.
O único jogador de futebol a conquistar três títulos mundiais com a seleção de seu país é um homem negro, vindo do interior de Minas Gerais. Pelé é a personalidade mais conhecida do mundo quando falamos de Brasil. Interrompeu, em 1969, uma guerra civil na África, destacando a importância de sua representação também para a população negra mundial. Sendo assim, podemos afirmar que Pelé junta-se a outras figuras brasileiras que têm papel fundamental na construção do Brasil moderno, em especial após a Segunda Guerra Mundial.
Diante deste processo de conquistas dentro e fora do mundo do esporte, Pelé está ao lado de figuras nacionais que atuaram em outras áreas. Não podemos deixar de cruzar sua pessoa com outras tantas erefrências de personalidades negras que também construiram as estradas da luta antirracista em nosso país, como Abdias do Nascimento e sua luta política pela libertação de presos políticos do Estado Novo, além de sua contribuição artística; Caó, cujo principal resultado de sua luta política foi ter incluído na Constituição de 1988 o racismo como crime inafiançável e imprescritível; Lélia Gonzales e seus estudos sobre a cultura negra no Brasil e sua participação na fundação no Movimento Negro Unificado; Benedita da Silva, a primeira senadora negra do Brasil e primeira vereadora negra da cidade do Rio de Janeiro; Milton Santos e sua contribuição à Geografia mundial, sendo a primeira personalidade de fora do mundo anglo-saxão e o primeiro brasileiro a receber o Nobel de Geografia; Conceição Evaristo e sua influência na Literatura pós-modernista; coronel Nazareth Cerqueira e sua política de segurança comunitária, repensando o papel da Polícia Militar no RJ; Marielle Franco, assassinada por impor sua voz contra as desigualdades sociais enquanto vereadora no Rio.
A lista de nomes e referências na luta contra as estruturas racistas no Brasil é grande. A representatividade das lutas de liberatação do povo negro no Brasil atravessam a histórica luta de Zumbi e desemboca em Anielle Franco e Silvio Almeida. Pelé, entre essas diferentes personalidades, é referência para jogadores também negros ao redor do mundo, e que brilharam ou ainda brilham e suas atividades. Não podemos esquecer de nomes do futebol, como Adriano Imperador que, mesmo tendo reconhecimento mundial, jamais esqueceu suas origens na Vila Cruzeiro; e Kilyan Mbappé, o segundo jogador mais jovem a conquistar uma Copa do Mundo com a seleção de seu país, em 2018, e que lamentou demais a partida de seu ídolo de referência.
Nosso Rei, que nasceu Edson e se imortalizou Pelé, fez a seleção brasileira ser referência de pluralidade racial. O único monarca reconhecido por outros monarcas e repúblicas; um rei do povo, da ginga, do sangue bantu que ergueu um país. O maior de todos os tempos discursou para um Maracanã lotado que assistiu ao seu milésimo gol e nos deixou uma mensagem inspiradora, que dizia: “Pelo amor de Deus, o povo brasileiro não pode esquecer das criancinhas, as criancinhas pobres”. Pelé, que sintetizava na cor de sua pele a história das raízes de nosso país, com seu jogo reinventou o futebol e descortinou o Brasil para outras nações. Foi diplomata de chuteiras, tendo sua imagem a marca da brasilidade; trajando o manto canarinho e fazendo história no Santos, tornou-se lendário.
Sua imortalidade estará presente na luta diária pela reparação histórica do povo negro no Brasil e no mundo. Teremos a oportunidade de retomar os debates de forma séria sobre a construção de uma verdadeira agenda antirracista atrelada aos novos tempos, durante o novo governo de Lula. Assim, podemos ter a certeza que seremos ouvidos para que em cada rua deste país, em cada subúrbio, periferia e favela do Brasil tenhamos o Rei como inspiração presente na vida de nossas crianças, jovens e adultos.
Carlos Santana
Ex-deputado federal por cinco mandatos pelo PT-RJ; Presidente do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil; Presidente estadual da CUT-RJ; Professor universitário; Doutor em História pela UFRJ e Bacharel em Direito.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2022
OS TRILHOS DO ABSURDO DIÁRIO * Carlos Santana - RJ
OS TRILHOS DO ABSURDO DIÁRIO
Não há outra forma de iniciar esse texto que não seja dizendo o quanto é impossível não ficar extremamente indignado ao ver a situação pela qual passam os usuários dos trens urbanos do RJ. É a expressão máxima do ataque direto à dignidade e cidadania do cidadão e da cidadã carioca e fluminense.
Parecem notícias repetidas, mas não são: todos os dias os jornais locais mostram que os serviços prestados pela concessionária Supervia humilham centenas de milhares de pessoas que dependem dos trens para virem das localidades mais distantes do Centro da cidade do Rio de Janeiro para iniciar sua rotina de trabalho nos primeiros horários. Trens sucateados, trilhos defasados, cabos que constantemente são roubados e horários que não se cumprem são as formas que a empresa tem de assaltar o trabalhador, levando sua saúde física e psicológica.
O problema se acentua quando temos uma agência reguladora que na maior parte do tempo come na mão dos empresários e acionistas, pouco se importando com a população. E mais: uma imprensa que pouco destaque dá à CPI que finalizou seus trabalhos de investigação sobre os problemas do serviço ferroviário de passageiros com seu relatório aprovado complementa o caos ao qual estão entregues as vidas de homens e mulheres das zonas norte e oeste da capital e também da Baixada Fluminense. Absurdo total!
A concessionária Supervia conseguiu dos cofres públicos que, até o fim de 2022, fossem oferecidos mais de R$ 250 milhões para, segundo ela, cobrir seus prejuízos decorrentes da baixa de usuários durante a pandemia, ameaçando deixar de ofertar o serviço por falta de verba. De praxe, a extorsão dos poder público vindo de grandes empresas concessionárias faz do Estado fonte de recursos a serem sugados quando existem os prejuízos, sem a contrapartida correta de boa prestação de atividade e manutenção de sua qualidade.
Com argumento de que a iniciativa privada supostamente é mais eficiente do que a administração pública, serviços essenciais são sucateados em um processo degradante de suas estruturas para que possam ser vendidos a preço de banana. Caso emblemático e recente, a Cedae virou alvo desse processo e sua venda passou a ser utilizada também como capital eleitoral, de diversas formas. Outro processo de entrega das estruturas públicas à iniciativa privada é o caso do metrô de Belo Horizonte, arrematado por quase R$ 26 milhões por uma única empresa.
É preciso dar um basta nesse vilipêndio, que se inicia com os preços absurdos das passagens dos trens e chega no péssimo serviço prestado, a ponto de a população se revoltar e ser tratada como vândala por querer dignidade. É necessário igualmente que o Estado deixe de ser refém de grandes empresas que usam querem usufruir das estruturas construídas com dinheiro público, mas não querer arcar com os prejuízos das manutenções e com o cumprimento de contratos
Nesse meio, a população é violentada de todas as formas, em seu corpo, sua mente e seu bolso. Cobramos de forma insistente posicionamento enérgico dos deputados e deputadas que participaram da CPI dos trens do RJ, para que cumpram seu dever e, se necessário, lutem até as últimas consequências pela encampação de nossos trens.
A violência diária pela qual passa o trabalhador e a trabalhadora precisa ter fim!
Carlos Santana
Ex-deputado federal por cinco mandatos pelo PT-RJ; Presidente do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil; Presidente estadual da CUT-RJ; Professor universitário; Doutor em História pela UFRJ e Bacharel em Direito.
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