domingo, 27 de junho de 2021

Gregório Bezerra em cordel * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

Gregório Bezerra em cordel

ENTREVISTA A EBC

JAIR GALVÃO
https://www.youtube.com/watch?v=oAtF_F65OLw

História de um valente

Valentes, conheci muitos,
E valentões, muitos mais.
Uns só Valente no nome
uns outros só de cartaz,
uns valentes pela fome,
outros por comer demais,
sem falar dos que são homem
só com capangas atrás.

Conheci na minha terra
um sujeito valentão
que topava qualquer briga
fosse de foice ou facão
e alugava a valentia
pros coronéis do sertão.
Valente sem serventia
foi esse Zé Valentão.

Conheci outro valente
que a ninguém se alugou.
Com tanta fome e miséria,
um dia se revoltou.
Pegou do rifle e, danado,
meia dezena matou
sem perguntar pelo nome
da mãe, do pai, do avô.

E assim, matando gente,
a vida inteira passou.
Valentão inconsequente,
foi esse Zé da Fulô!

Mas existe nesta terra
muito homem de valor
que é bravo sem matar gente
mas não teme matador,
que gosta de sua gente
e que luta a seu favor,
como Gregório Bezerra,
feito de ferro e de flor.

Gregório, que hoje em dia
é um sexagenário,
foi preso pelo Governo
dito "revolucionário",
espancado e torturado,
mais que Cristo no Calvário,
só porque dedica a vida
ao movimento operário
e à luta dos camponeses
contra o latifundiário.

Filho de pais camponeses,
seu rumo estava traçado:
bem pequeno já sofria
nos serviços do roçado.
Com doze anos de idade
foi pra capital do estado,
mas no Recife só pôde
ser moleque de recado.
Voltou pra roça e o jeito
foi ser assalariado.
Até que entrou pro Exército
e decidiu ser soldado.

Sentando praça, Gregório
foi um soldado exemplar.
Tratou de aprender a ler
e as armas manejar.
Em breve tornou-se cabo
mas não parou de estudar.
Chegou até a sargento
na carreira militar.
Sua vida melhorou
mas não parou de pensar
na sorte de sua gente
entregue a duro penar.
Um dia aquela miséria
havia de se acabar.

Foi pensando e conversando,
trocando pontos de vista,
que Gregório terminou
por se tornar comunista
e no Partido aprendeu
toda a doutrina marxista.
Convenceu-se de que o homem,
no mundo capitalista
é o próprio lobo do homem,
torna-se mau e egoísta.

Da luta de 35,
Gregório participou.
Derrotado o movimento,
muito caro ele pagou.
O Tribunal Militar
do Exército o expulsou,
e o meteu na cadeia
onde Gregório ficou
até em 45
quando a anistia chegou.

Mas todo esse sofrimento
valeu-lhe muito respeito.
Candidato a deputado
foi gloriosamente eleito
pra Câmara Federal
sendo o segundo do pleito.
Seu trabalho no Congresso
só lhe aumentou o conceito.

Mas eleito deputado,
um problema ia surgir:
Gregório não tinha roupas
para o mandato assumir.
Foi preciso a gente humilde
que o elegeu se unir
e fazer uma "vaquinha"
pras roupas adquirir.
Assim, vestido elegante,
Gregório pôde partir.

A força dos comunistas
assustou a reação.
Viram o apoio que o povo
dera a eles na eleição.
Armaram rapidamente
uma bruta traição.
Contra o PCB votou-se
a total proibição
e contra os seus deputados
engendrou-se a cassação.
Fizeram o que fez agora
a falsa "revolução".

Gregório pronunciou
a oração derradeira
apresentando o projeto
em favor da mãe solteira.
Projeto feito com amor
à mãe pobre brasileira,
a essa mulher do povo
que só conhece canseira.
Projeto que mostra a alma,
alma pura e verdadeira,
desse homem contra quem
já se inventou tanta asneira.

Usurpado no mandato
que o povo lhe confiara,
a reação novo bote
contra ele já armara:
um quartel que pegou fogo
em Pernambuco, inventaram
que Gregório o incendiara,
e o meteram na cadeia
sem que a culpa se provara.
Mas ao final do processo
a verdade brilhou clara.

Assim, posto em liberdade,
Gregório não descansou.
Em Pernambuco e Goiás,
dia e noite trabalhou,
organizou camponeses,
a muita gente ensinou.
No Paraná e em São Paulo
sua ajuda dedicou.
Um dia com um revólver
por azar se acidentou.

Veio a Polícia e, ferido,
para a cadeia o levou.
Solto de novo, Gregório
para Pernambuco voltou.
E é em Pernambuco mesmo
que o vamos encontrar
em abril de 64
quando o golpe militar
se abateu sobre o País
derrubando João Goulart,
prendendo os que encarnavam
a vontade popular,
os que com o povo lutavam
para a Nação libertar.

Gregório então foi detido
no interior do estado.
Mas só se entregou depois
de ter identificado
o capitão que o prendia.
Tivera esse cuidado
pois sabia que um bando
de facínoras mandado
pelo usineiro Zé Lopes
buscava-o naqueles lados.
Pouco adiante, no entanto,
no cruzmento da estrada,
surge um destacamento.
Era uma tropa embalada
do Vigésimo RI
e à sua frente postada
a figura de Zé Lopes
com toda sua capangada.

Foram chegando e dizendo
que o preso lhes entregassem
para que naquele instante
com sua vida acabassem.
O capitão, no entanto,
pediu-lhe que se acalmassem,
pois as ordens do Recife
não era pra que o matassem.
Queriam ouvir Gregório
e depois o fuzilassem.

Zé Lopes e seus capangas
não queriam obedecer.
Gritavam que comunista
não tem direito a viver.
Mas o capitão foi firme,
não se deixou abater.
A coisa então foi deixada
pro comando resolver.
Rumaram pra Ribeirão
onde o comando foi ter.

Zé Lopes, chegando lá,
insistiu com o comandante,
que lhe entregasse Gregório
pra "julgar" a seu talante.
Não conseguiu e Gregório
foi, de maneira ultrajante,
amarrado como um bicho,
jogado num basculante
que o levou pro Recife
às ordens do comandante.

Levado então à presença
do General Alves Bastos,
Gregório, os pulsos sangrando,
nem assim se pôs de rastos.
Quando este lhe perguntou
onde as armas escondera,
respondeu: "se armas tivesse,
não era desta maneira
que eu estaria agora,
mas com as armas na mão,
junto com o povo lá fora".

Pro Forte das Cinco Pontas
foi conduzido, então,
e de lá para o quartel
de Motomecanização,
onde começa a mais negra
cena da "revolução"
que tanta vergonha e crime
derramou sobre a Nação.
Darci Villocq Viana,
eis o nome do vilão.

Esse coronel do Exército
mal viu Gregório chegar
partiu pra cima dele
e o começou a espancar.
Bateu com um cano de ferro
na cabeça até sangrar.
Chamou outros subalternos
para o preso massacrar.
Gritando: "Bate na fera!
Bate, bate, até matar!"
Dava pulos e babava
como se fosse endoidar.

Despois despiram Gregório
e já dentro do xadrez
com a mesma fúria voltaram
a espancá-lo outra vez.
Com 70 anos de idade
e outros tantos de altivez,
nenhum gesto de clemência
ao seu algoz ele fez.
O sangue agora o cobria
da cabeça até os pés.

No chão derramaram ácido
e fizeram ele pisar.
A planta dos pés queimava,
mal podia suportar.
Vestiram-lhe um calção
para depois o amarrar
com três cordas no pescoço
e para a rua o levar
preso à traseira de um jipe
e para ao povo mostrar
o "bandido comunista"
que se devia linchar.
Estava certo Villocq
que o povo o ia apoiar
para em plena praça pública
o comunista enforcar...

Mas para seu desespero
o povo não o apoiou.
Aos seus apelos de "enforca!"
nenhuma voz se juntou.
Um silêncio insuportável
sua histeria cercou.
Via era ódio nos olhos
e se ninguém protestou
é que os soldados em volta
ao povo impunham terror.
Muitas mulheres choravam.
Uma freira desmaiou
no Largo da Casa Forte
onde o cortejo parou.

"Meus pés eram duas chagas
- Gregório mesmo contou -
e no meu pescoço a corda
ainda mais apertou.
O sangue que me banhava
minha vista sombreou.
Senti que a força faltava
mas minha boca falou:
"Meu povo inda será livre!"
E muita gente chorou
no Largo da Casa Forte
onde o cortejo parou.

A freira que desmaiara
o arcebispo procurou
e este ao Genral Justino
nervosamente apelou
para impedir o homicídio
que quase se perpetrou.
A solidariedade humana
como uma flor despontou
no Largo da Casa Forte
onde o cortejo parou.

Quase morto mas de pé,
Gregório foi encarcerado.
Por dias e noites a fio
ele foi interrogado.
Já faz três anos que ele
continua aprisionado
sem ordem legal pra isso
e sem ter sido julgado.
E até um habeas-corpus
pedido lhe foi negado.

Mas nada disso arrefece
o valor desse homem bravo
que luta pra que seu povo
deixe enfim de ser escravo
e a cada nova tortura,
a cada cruel agravo,
mais força tem pra lutar
esse homem sincero e bravo.

E donde vem essa força
que anula a crueldade?
Vem da certeza que tem
numa histórica verdade:
o homem vem caminhando
para a plena liberdade;
tem que se livrar da fome
para atingir a igualdade;
o comunismo é o futuro
risonha da humanidade.

Gregório Bezerra é exemplo
para todo comunista.
É generoso e valente,
não teme a fúria fascista.
À barbárie do inimigo
opõe o amor humanista.

Gregório está na cadeia.
Não basta apenas louvá-lo.
O que a ditadura espera
é a hora de eliminá-lo.
Juntemos nossos esforços
para poder libertá-lo,
que o povo precisa dele
pra em sua luta ajudá-lo.

Ferreira Gullar/MA

sábado, 26 de junho de 2021

LULA MAS ATÉ QUANDO? * MARLENE SOCCAS / SC

LULA  MAS ATÉ QUANDO?

 Cada  vez me convenço mais que  Lula  não  aprendeu  nada  com  o  golpe que  deram nos Trabalhadores e  no  Brasil, em 2016,   nem  com  a  sua prisão , onde leu  vários  livros.  Ele não  entendeu  nada  da  luta  dos  trabalhadores.  Não percebeu, ou não quer perceber,   que  os  BANQUEIROS ganharam  muito  mais, com  os  governos do  PT , com  Lula e com Dilma,  do  que  ganharam os  trabalhadores.  Lula  não  aprendeu  que  nossos  trabalhadores perderam, com o golpe, todos  os direitos  que foram  arrancados à  burguesia,  com  muita  luta,  desde  antes , durante  e  depois  do  governo  Getúlio  Vargas.


Lula  não  entendeu  que  são  os  trabalhadores  que  precisam  estar  no  poder ( e  não  somente  no  governo) para  alcançarem  a  libertação  da  exploração  que  sofrem no  sistema  capitalista,  e  que  podem  e  devem  conquistar  o  poder para  se  libertarem dessa  exploração ,  e,  além  disso,  libertarem  todas  as outras  demais  classes oprimidas  e  exploradas  pelos  capitalistas ,  construindo o sistema  socialista,  onde  a  figura  do  patrão desaparece,  com  o  desaparecimento da  exploração  do  trabalho  do  Homem  por  outro Homem.  Lula  não  fez  o  que  os  Trabalhadores  mais  precisavam: acabar  com  a  exploração capitalista, nem fez qualquer tentativa, nos 40 anos do PT, de colocar aos trabalhadores os passos iniciais desta grande luta . 


Lula  nunca  percebeu  isso  porque  nunca  teve  consciência  de  classe. Na verdade, Lula nunca entendeu direito o que é Exploração de Classe, muito embora tenha sofrido na pele tudo o que ela representa.  E  como  não  tinha essa Consciência de Classe,  como nunca  aprendeu  o  que  é  uma  escravidão  assalariada, ele  jamais  pensaria  em  libertar a  classe dos  trabalhadores  dessa  escravidão  assalariada. 

A  consciência  de  Lula  só  vai  até  aí, como ele mesmo diz, no texto acima, de sua autoria :  salário,  emprego, renda, direitos,  coisas que  podem  ser  retiradas  no  próximo golpe,  da  maneira  mais  fácil,  como nos aconteceu  no  golpe  de  2016  ,  sem  nenhuma  greve  geral consistente, planejada e forte, sem  nenhum  apito  de  fábrica. Lula não  aprendeu  nada,  em  40  anos de  História  do  Brasil e do  Partido  que  ele próprio  ajudou a  criar. Não aprendeu que esse   golpe  pode  ser  novamente  dado,  quando  a  Burguesia entender  que o  trabalhador  está ganhando muito, mas que  merece  é  relho  nas  costas  para  nunca pensar  em ser  mais  que  um  animal  de  carga.


 Por isso, é necessário que os Trabalhadores do Brasil ultrapassem Lula, ultrapassem o PT, mesmo votando em Lula para derrotar o Bolsonaro, mas que se livrem de sua ideologia social democrata, que nada mais é do que a perna esquerda da Burguesia, para iludir e enganar os Trabalhadores, para que continuem,  sem questionar, a serem submissos á ditadura do Capital, á ditadura  da Burguesia, aos interesses da Burguesia, saindo de um golpe, para sofrerem outro, logo alí adiante, alguns anos depois.


Como já aconteceu com o Brasil, de 1954 a 2016. Por isso, é necessário que os Trabalhadores fiquem independentes da ideologia do Partido dos Trabalhadores e de Lula. Podem até votar em Lula, enquanto não aparece uma liderança superior ao Lula,  mas sabendo direito dos limites que configuram um governo do PT, ou seja,  bilhões para os banqueiros versus esmolas para os trabalhadores,  que serão retiradas depois,  exatamente como  aconteceu com golpe de 2016, bastando, para isso, aprenderem com o que representou  a Reforma Trabalhista e a Reforma  da Previdência.


Ficou muito claro  que logo ali, mais á frente, quando a Burguesia entrar em crise novamente,  nas famosas Crises do Sistema Capitalista, que acontecem de tempos em tempos,  mais ou menos de 12 em 12 anos, que são globais, e que não podem ser evitadas, posto que são da essência do capitalismo,   ela, a Burguesia  vai retomar tudo de volta. Como tem sido feito, desde a tentativa de golpe em Getúlio Vargas, em 1954,  levando-o ao suicídio,  e que com esse gesto, ele suspende, momentaneamente, o golpe. Que se concretiza,  depois,  em João Goulart, em 1964,  levando-o ao exílio e á morte. E se repete, em 2016, levando Lula á prisão, desmantelando toda a economia do País. Atacando uma Classe Trabalhadora, sem a menor proteção de seus Sindicatos, em sua grande maioria , pelegos, e que hoje sofre um desemprego de cerca de 14,4%, atingindo 14,4 milhões de Trabalhadores, o golpe mostrou que tinha endereço certo: minar a Classe que poderia ter salvo o Brasil.   


Os Trabalhadores precisam saber muito mais do que um simples aumento de salário, que vai ser engolido pela própria inflação.  Os Trabalhadores precisam saber muito mais o que significa não trabalhar para nenhum patrão, mas sim, trabalhar para si próprios, se apossando de uma riqueza que eles  próprios construíram. Os Trabalhadores precisam entender que a riqueza somente é criada pelo Trabalho, e que, se são os Trabalhadores que criam as riquezas, elas tem que ser geridas pelos próprios trabalhadores, em benefício de toda a classe dos Trabalhadores e de todo o Povo.    

 

MARLENE SOCCAS / Criciúma-SC, 24 de junho 2021.


Amazônia e Povos Originários * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

 AMAZÔNIA E POVOS ORIGINÁRIOS

CARTA ABERTA AO STF

 *O julgamento de repercussão geral que irá definir o futuro das demarcações de terras indígenas no Brasil está na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) dia 30 de junho.*

✊🏾 Em Brasília e em todo o país, os povos indígenas já estão mobilizados reivindicando o direito sobre suas terras tradicionais. Nesse momento, é preciso que todas e todos SE MOBILIZEM em defesa dos direitos originários dos povos indígenas! 

ASSINE em: https://bit.ly/CartaAbertaSTF

TUDO SOBRE MARCO TEMPORAL

***

1 - CONGRESSO DECIDE EXTINGUIR A AMAZÔNIA

PL 490: Congresso decide extinguir a Amazônia | Atualidade | EL PAÍS Brasil

*

2 - PELO FIM DO MARCO TEMPORAL

https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2021/06/marco-temporal-terras-indigenas/

***

Simon Bolívar Pátria Grande * Allan Sales/PE

 SIMON BOLÍVAR PATRIA GRANDE 

ALLAN SALES/PE
*
*
*
NILDO OURIQUES POR ALLAN SALES
***

sexta-feira, 25 de junho de 2021

PAULO FREIRE MITOS E VERDADES * Caroline Monteiro

PAULO FREIRE MITOS E VERDADES
Mitos e verdades sobre a obra de Paulo Freire
O que especialistas têm a dizer sobre o que se fala do educador e filósofo brasileiro
CAROLINE MONTEIRO
*
PAULO FREIRE EM CORDEL
ALLAN SALES/PE

Mesmo após 20 anos de sua morte, Paulo Freire continua aparecendo em discussões sobre educação e em debates políticos, principalmente nas redes sociais. Reunimos as principais polêmicas em torno de seu nome para serem discutidas por quatro educadores. Todos têm alguma ligação com o trabalho de Freire – seja atuando na Educação de Jovens e Adultos (EJA), área em que ele teve grande influência, na gestão pública, em que ele trabalhou na prefeitura de Luiza Erundina, ou como representante do legado de seu pensamento (veja no final do texto a relação de nossos entrevistados).

"Paulo Freire fez doutrinação de esquerda ou marxista"

Nas manifestações contra o governo Dilma em 2015, uma faixa escrita “Chega de Doutrinação Marxista, Basta de Paulo Freire” foi vista nas ruas. Em caixa de comentários do Facebook, os ataques também são comuns. Para Felipe Bandoni, colunista de NOVA ESCOLA e professor de Ciências na EJA do Colégio Santa Cruz, as pessoas destilam ódio contra sua obra mesmo sem conhecer. “Ele é um pensador de esquerda, tem ligações com a fundação do PT, esteve no governo de Luiza Erundina e seu pensamento é voltado para questões sociais, para os excluídos. A mera associação com esse universo faz com que as pessoas destilem ódio sem se atentar ao que ele propõe.”

Segundo Luiz Araújo, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e secretário de Educação de Belém na gestão de Edmílson Rodrigues (PT), na lógica da direita combativa, aquele que desperta a criticidade está doutrinando. “Paulo Freire não era marxista,

mas um humanista radical. Existe uma ligação entre as duas correntes. Ambas lutam pela transformação da sociedade, mas não são a mesma coisa. Enquanto o humanista radical não está satisfeito com o capitalismo e acha que precisa mudar as relações, o marxismo propõe superar o capitalismo. Eles combatem o mesmo inimigo e podem encontrar caminhos comuns, mas são coisas diferentes”, diz Luiz.

"Sua obra e método são responsáveis pelas altas taxas de anafabetismo do Brasil"

“Se o método dele é tão bom, por que ainda temos adultos analfabetos no Brasil?”, perguntam algumas vozes. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que as taxas de analfabetismo ainda são realmente altas – embora a situação já tenha sido muito pior (veja).

Porém, responsabilizar Freire por essa situação é uma ideia que não faz muito sentido. Para Luiz Araújo, a ditadura militar é uma das principais responsáveis pela permanência do analfabetismo. “A contribuição dele foi interditada com a estrutura militar e seu exílio. Ele continuou produzindo e experimentando fora do Brasil, e esses resultados foram tardiamente conhecidos por aqui.” Segundo Luiz, a contribuição de Paulo Freire para a diminuição do analfabetismo é comprovada científica e empiricamente. “Seus conhecimentos erradicaram o analfabetismo na Bolívia, na Nicarágua e em outros países do mundo. Se ele tivesse implementado tudo o que queria no Brasil, talvez não tivéssemos esse problema.”

Maria do Pilar Lacerda, ex-secretária de Educação Básica do MEC, concorda que a situação seria melhor se ele tivesse tido mais tempo de atuar no país. “São 517 anos de história, dos quais ele só participou diretamente por 3 ou 5 anos. Criticam Paulo Freire, mas esquecem que tivemos quase 400 anos de escravidão”, diz.

"A metodologia de Paulo Freire revolucionou a alfabetização de jovens e adultos"

Em termos. A influência foi grande, mas não se universalizou. Boa parte da alfabetização ainda não segue – e nunca seguiu – os passos sugeridos em seu processo. Para Luiz Araújo, não tem como negar a contribuição do educador na alfabetização de jovens e adultos, a faixa etária que apresenta mais experimentos e comprovações, mas seu método é geral, e pode ser aplicado também para crianças.
Crédito: Divulgação / Prefeitura de Itanhaém

Segundo Felipe Bandoni, Paulo Freire não teria pensado em tudo o que pensou se não estivesse na EJA. “A educação de jovens e adultos faz com que os educadores procurem um sentido muito maior para o que está sendo estudado. Como o mercado de trabalho e o vestibular não são o foco, o professor começa a ver que assuntos do currículo tradicional não fazem sentido para a vida daqueles

alunos. Na EJA, Paulo Freire enxerga outros caminhos para usar estratégias a partir da realidade dos estudantes, por isso, ele teve mais influência do que em outras modalidades de educação.”

"Paulo Freire é a principal referência na Educação nacional"

Depende. Talvez seja para os educadores, mas nos currículos das faculdades de pedagogia ele nunca teve essa força toda. Para Luiz, antes de chamá-lo de "principal nome", é preciso avaliar de qual ponto de vista se faz a afirmação. “Ele é o mais importante do aspecto da inovação pedagógica para romper com a pedagogia tradicional, mas na luta pela escola pública e por olhar a educação como prioridade, posso destacar Florestan Fernandes e Anísio Teixeira, respectivamente”, diz.

Jayse Antonio, professor de Arte na EREM Frei Orlando, em Itambé-PE, explica que Paulo Freire é um dos mais citados em trabalhos acadêmicos, mas também considera a arte-educadora Ana Mae Barbosa, como uma grande referência.

Na opinião de Moacir Gadotti, presidente de Honra do Instituto Paulo Freire, Paulo Freire construiu não só um método de ensino, mas também uma filosofia educacional. “Seu labor intelectual foi muito além de uma metodologia. Ele foi um dos grandes idealizadores do paradigma da Educação Popular.” Moacir cita as teses freirianas que contribuíram para com o avanço na teoria e nas práticas da Educação Popular: teorizar a prática para transformá-la; reconhecer a legitimidade do saber popular e harmonização o formal e o não-formal.



"O Paulo Freire é mais valorizado fora do Brasil do que dentro"

O educador, preso pela ditadura após o golpe de 1964, se exilou primeiro no Chile, onde ficou por cinco anos, até 1969. “Lá encontrou um clima social e político favorável ao desenvolvimento de suas teses, desenvolvendo, durante anos, trabalhos em programas de educação de adultos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária (Icira)”, o presidente de honra do Instituto Paulo Freire. Foi no Chile que Paulo Freire escreveu sua principal obra, Pedagogia do Oprimido (1968), traduzida para mais de 27 idiomas. É o terceiro livro mais citado em trabalhos acadêmicos da área de humanas e o único brasileiro a aparecer na lista dos 100 títulos mais pedidos pelas universidades de língua inglesa, consideradas pelo projeto Open Syllabus, segundo Moacir.

Para o professor Luiz, foi justamente a ditadura que contribuiu para que ele fosse mais conhecido no exterior. “Lá fora, onde ficou exilado por 16 anos, Freire produziu e experimentou. Mesmo pensando sobre o Brasil, as ideias se disseminaram primeiro fora daqui. Além disso, o brasileiro tem essa visão provinciana, de valorizar pouco o que é produzido por nós mesmos.”

Felipe Bandoni de Oliveira, colunista da revista NOVA ESCOLA e professor de Ciências na EJA do Colégio Santa Cruz, é biólogo, mestre em Fisiologia e doutor em Biologia Evolutiva formado pela Universidade de São Paulo (USP). Vencedor do Prêmio Educador Nota 10 de 2012 e Educador do Ano pelo mesmo prêmio. Felipe é um dos autores da proposta curricular de Biologia seguida pelas escolas estaduais de São Paulo e co-autor de duas coleções de livros didáticos de Ciências para o Ensino Fundamental.

Luiz Araújo, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é doutor em Políticas Públicas em Educação pela USP e professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília. Foi secretário de Educação de Belém na gestão de Edmílson Rodrigues (PT) entre 1997 e 2002, presidente do Inep em 2003 e 2004 e assessor de financiamento educacional da União dos Dirigentes Municipais de Educação Nacional (Undime). Além disso, Luiz é presidente nacional do PSOL.

Maria do Pilar Lacerda, ex-secretária de Educação Básica do MEC, é graduada em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Gestão de Sistemas Educacionais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Minas). Foi Diretora do Centro de Formação dos Profissionais da Educação da prefeitura de Belo Horizonte na gestão de Patrus Ananias (PT) de 1993 a 1996, secretária municipal de Educação de Belo Horizonte nas gestões de Fernando Pimentel (PT) e Marcio Lacerda (PSB) de 2002 a 2007, presidente da Undime e Secretária Nacional de Educação Básica do Ministério da Educação de 2007 a 2012. Atualmente, Pilar é Diretora da Fundação SM/Brasil.

Jayse Antonio Ferreira, professor de Arte na EREM Frei Orlando, em Itambé (PE), é graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Vencedor do 8º Prêmio Professores do Brasil promovido pelo MEC na categoria Ensino Médio e finalista do Prêmio seLecT de Arte e Educação de 2017.

Moacir Gadotti, presidente de Honra do Instituto Paulo Freire, é professor aposentado da Faculdade de Educação da USP. Formado em Pedagogia e Filosofia, foi assessor técnico da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo na gestão de Mário Covas (PMDB) de 1983 a 1984 e chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo na gestão de Luiza Erundina de 1989 e 1990. É autor de publicações como “Educação e Poder” (1988), “Paulo Freire: Uma bibliografia” (1996) e “Educar para um Outro Mundo Possível” (2007).
(
https://novaescola.org.br/conteudo/4942/mitos-e-verdades-sobre-a-obra-de-paulo-freire)

Elizabeth Franco Fortes em Documentos Revelados * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

Elizabeth Franco Fortes em Documentos Revelados


 Ano de 1971, Ana Beatriz (Bia) tem 17 anos e estuda na 2ª. Série do Colegial. Ela trabalha num escritório de arquitetura e tem seus movimentos seguidos pelos militares. Em uma manhã fria de Curitiba, Bia sai para seu primeiro dia de trabalho num novo emprego em uma estatal. Ao chegar ao departamento de Recursos Humanos da empresa é surpreendida por policiais da DOPS, que a levam detida sob a acusação de ser colaboradora de estudantes subversivos ligados a UNE e ao DCE da Universidade Federal do Paraná.

SEGUE

"NUNCA MAIS EU QUIS VISITAR AS CATARATAS", DISSE BEATRIZ FORTES, AO RELATAR TORTURAS EM FOZ DO IGUAÇU - Documentos Revelados 

***

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Onde irá estourar a próxima revolução? * George Kunz / RJ

 Onde irá estourar a próxima revolução?



Se avaliarmos a realidade política mundial em termos dialéticos, ela  aparentemente nunca está preparada para viradas, a menos que aconteçam situações abertamente revolucionárias e ao mesmo tempo, sempre está  preparada. Por que? 

Porque vivemos na maior crise capitalista mundial de todos os tempos. Os  volumes de capitais fictícios nunca foram tão gigantescos e ainda em  crescente aumento, impulsionando enorme bolhas em direção a gigantescas  explosões sociais. 

Ao mesmo tempo, a "esquerda" contrarrevolucionária que hoje atua mais  como uma direita, deixou de ser o forte fator de contenção pela base que era  até os anos de 1980 e 1990. Ela se formou a partir dos anos de 1980 em  cima da pressão da burguesia para impor o chamado “neoliberalismo” como  mecanismo para conter a crise mundial de 1974. 

Essas não seriam considerações centrais para a virada, para um levante de  massas? 

A pressão da crise capitalista tende a fazer com que as massas entrem em  movimento. A burguesia tenta desviar a revolução por meio da guerra  (contrarrevolucionária), o fascismo, os estados de sítios que hoje se  generalizaram sob a máscara da pandemia, que é parte da política genocida  de massacres em massa. 

E não que essa represente uma novidade. Se trata da típica política de  destruição de forças produtivas, mas agora potencializada pela profundidade  da crise. 

Para manter os repasses de recursos públicos aos grandes capitalistas têm  se tornado tão obscenos que aplicados em quantidades apocalípticas,  considerando que a economia capitalista se encontra semi paralisada, têm  gerado um aumento considerável da inflação e do custo de vida em escala  mundial. É a chamada estagflação, inflação com recessão. 

O que devemos esperar para o próximo período? 

A crise capitalista é gigantesca, mas ainda não chegamos ao ato principal  que implica na necessidade da destruição do capital produtivo para o  capitalismo poder ter o direito de continuar funcionando. 

Nas atuais condições, a burguesia busca impedi-lo porque a especulação  financeira se tornou em fator fundamental da reprodução ampliada do capital  e da geração de lucros. 

O imperialismo (que representa a fusão do capital financeiro e industrial nos  grandes centros do capitalismo mundial) consegue desviar as revoluções aos  países mais fracos do sistema mundial.

Por isso, as revoluções até hoje estouraram em países atrasados e as  revoluções têm degenerado. 

Nesse sentido, uma revolução num país atrasado, seria como ganhar um  sindicato ou um DCE (um centro acadêmico de uma universidade) ou uma  fazenda do MST (Movimento dos Sem Terra). Se ficar nisso (no "socialismo  num só país”) inevitavelmente degenerará. 

A burguesia não brinca em serviço. A visão contrária é de vendidos  recalcitrantes. 

O que a esquerda revolucionária deve entender de vez 

O que os revolucionários devem fazer é usar os instrumentos que existem  para empurrar a revolução contra os grandes centros. Cuba fez isso até mais  ou menos 1970, após a morte do Che e o fracasso dos 10 milhões de  toneladas de cana de açúcar. Em 1974 entrou no Comecom, o acordo  comercial dos países do Leste Europeu e da antiga União Soviética e o  ímpeto revolucionário foi ladeira abaixo. 

A primeira tarefa da esquerda revolucionária é impulsionar a revolução. Ela  poderá estourar num país atrasado, mas dada a profundidade da crise  poderá estourar em vários ao mesmo tempo ou inclusive em países  desenvolvidos. 

Um dos problemas importantes é a falta de direções revolucionárias fortes. E  devemos nos esforçar para cria-las da melhor maneira para atuar no próximo período. Mas elas somente se fortalecerão quando forem provadas no  ascenso de massas. 

A burguesia apoiada pela “esquerda” oficial contrarrevolucionária tenta nos  fazer acreditar que a situação é muito ruim. E até o é, mas para ela. 

Para a revolução, nunca houve uma situação tão favorável por causa da  debilidade da contenção pela base. A “esquerda” contrarrevolucionária já não  tem militantes no movimento operário e muito menos nos movimentos  sociais. E essa situação se repete em todos os principais países. 

As tarefas da esquerda revolucionária 

Realizar análises precisos da realidade política atual, que é muito  contraditória e volátil. É preciso assimilar o socialismo científico (marxismo)  como um guia para a ação. 

A partir das análises é preciso identificar as forças sociais que atuam e  elaborar as políticas que fazem a revolução avançar. É preciso superar a  política de todos os setores da “esquerda” oficial contrarrevolucionária e do  sindicalismo. 

Em cima das conclusões das análises, precisamos elaborar políticas a partir  das necessidades e preocupações concretas dos trabalhadores e das 

massas e vincula-las aos grandes problemas políticos, à crise capitalista.  Identificar claramente os responsáveis pelas mazelas do povo. 

Essas políticas devem ser militadas com energia, em primeiro lugar a partir  de fortes campanhas de propaganda. 

Com a retomada das manifestações de rua, devemos nos preparar para  ampliar o trabalho de propaganda e passar para a agitação concreta. Usando  ambas como parte um mesmo trabalho. Exemplo: ir às ruas com faixas  nossas, avaliar boletins, tirar fotos etc. 

Fortalecer o trabalho de contatos e de recrutamento. 

Fortalecer os mecanismos organizativos. 

Colocar no centro das nossas atenções a construção da nossa organização revolucionária e de impulsionar o conjunto da esquerda revolucionária, em  luta contra o capital, a burguesia e a “esquerda” contrarrevolucionária. Dado  o contexto político atual, essa é a nossa urgente prioridade.


A Rússia e a China podem ajudar à revolução?

A Rússia e a China podem ajudar à revolução?


Alguns ativistas e até organizações defendem a ideia, e até política, de que é melhor com os russos e chineses do que é com o imperialismo norte-americano.

Essa disjuntiva tem sido vivenciada ao longo dos séculos. Na nossa América Latina, por exemplo, parte das comunidades indígenas no México, se uniram aos espanhóis para se livrarem dos opressores aztecas ou mexicas. E deu no que deu.

A visão moral e metafísica do “melhor e o pior” considera as coisas e os fenômenos sociais como se eles nunca mudassem, como se a evolução

Se para aumentar o controle do mercado mundial, no atual contexto da maior crise capitalista mundial , os russos e chineses precisarem apoiar ditaduras militares assassinas e genocídios em massa, o farão. Ou melhor, continuarão aplicando essa política, mas em larga escala. Não esquecer, por exemplo, que os chineses chegaram a apoiar Mobutu e até o ditador do Sudão; isso sem esquecer as alianças da China com Pinochet para se contrapor aos acordos da então União Soviética com a Argentina de Videla.

Afinal, não devemos nos esquecer que a burguesia que controla a Rússia a China são ferrenhos defensores do capitalismo e, portanto, inimigos mortais dos trabalhadores.

Se os chineses e os russos conseguirem derrotar o imperialismo norte-americano numa guerra importante e eles próprios passarem a controlar o mercado mundial, eles próprios serão igualzinhos ou ainda piores que o imperialismo norte-americano. Por que? Porque serão obrigados a empregos os mesmos métodos fundamentais, se não ainda piores, para controlar o mercado mundial do capital em brutal crise.

Se as burguesias russas e chinesas apoiarem a autodeterminação dos povos, haveria espaço para um apoio, mas considerando o caráter de classe, o único apoio possível seria hipotéticas ações concretas que pudessem derivar em ações concretas e sempre com a condição de manter total independência dessas e de qualquer setor da burguesia.

GERALDO VANDRÉ EM JOÃO PESSOA * DALVA SILVEIRA /MG

 Geraldo Vandré Em João Pessoa: um concerto e um encontro   de puro sentimento e arte* 

Dalva Silveira - MG*

Torno público agora um texto escrito no calor dos acontecimentos e preenchido por impressões e sentimentos pessoais acerca da cidade, do histórico concerto e do encontro com o memorável artista. Esses eventos, por serem extremamente sensíveis, estão longe de ser completamente dizíveis. Sendo assim, tentarei compartilhar um pouco de minhas lembranças sobre esses momentos valorosos de minha vida. Continue aqui https://letrastaquarenses.blogspot.com/2018/04/geraldo-vandre-em-joao-pessoa-um.html 

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Sem conluio não tem bloqueio * Frente Revolucionária dos Trabalhadores -BR

SEM CONLUIO NÃO TEM BLOQUEIO


Poderia dizer, à moda antiga, que ouço falar do bloqueio a Cuba desde que me entendo por gente. E uma coisa sempre me causou desconfiança: todas as acusações são atribuídas ao testa-de-ferro do capital: o governo estadunidense. Será que ninguém se dá conta de que apenas um membro de uma aliança político-militar não tem tanta força assim para determinar uma medida e aplicá-la a revelia de todos, unilateralmente? 

Tudo bem que o poderio bélico estadunidense é um dos maiores do mundo, mas creio que todas as demais forças integrantes do bloco imperialista têm culpa no cartório. Todos podem constatar isso em relação a outros casos, não apenas de bloqueio, quando um ou mais membros se recusam a colaborar com as vontades tio-samtânicas. 

Não é difícil constatar isso, por um lado, e por outro, me pergunto por que tantas forças políticas se manifestam contra o bloqueio a Cuba e nunca chamam uma mobilização mundial, apontando a omissão de todo o resto do mundo. Afinal, sem o respaldo do imperialismo em bloco, o governo estadunidense não teria condições morais para impor bloqueio a quem quer que seja.

Querem um exemplo? Eis a Venezuela, vítima dos narcos de todos os quadrantes e sob o cerco do governo estadunidense e de todo o bloco imperialista europeu. Ou seja, sem o conluio não teria bloqueio.  

Hoje, por incrível que pareça, isso está expresso na votação contra o bloqueio:


*


Uma das melhores provas do enfoque unilateralista de que falo se encontra abaixo:

" Declaração do Nescuba/Ceam/UnB


O Núcleo de Estudos Cubanos (Nescuba), do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinários (Ceam), da Universidade de Brasília, constituído em 1995 pelo Ato da Reitoria 1959/1995 é formado por um grupo de professores e pesquisadores interessados em realizar atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária voltadas para o estudo da realidade de Cuba, em toda sua dimensão histórica, social, política, econômica e cultural.


Na condição de estudiosos da realidade de Cuba,  manifestamos nossa posição, somando-nos a vozes de distintas partes do mundo, acerca do Projeto de Resolução a ser apresentado por Cuba no dia 23 de junho próximo à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas sobre a urgente necessidade de por fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba.


Consideramos imprescindível que esta Assembleia Geral aprove, pela vigésima nona vez, a resolução condenando esse bloqueio imposto desde 1962 e recrudescido, em plena pandemia, por 243 medidas adotadas contra Cuba pelo ex-presidente Donald Trump, e que continuam vigentes.


O bloqueio, além de violar normas do Direito Internacional e da boa e pacífica convivência entre as nações, atinge não só a soberania de Cuba como a de terceiros países, impondo limitações ilegais a seus governos, cidadãos e empresas pela aplicação unilateral de dispositivos extraterritoriais da Lei Helms-Burton, aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos da América em 1996.


O bloqueio econômico, comercial e financeiro a Cuba já causou ao país perdas estimadas em mais de 90 bilhões de dólares, caracterizando-se como uma ação genocida contra o povo cubano, privado de bens e recursos essenciais à sua vida devido às restrições ao livre comércio e intercâmbio não só com os Estados Unidos como com outras nações ilegalmente atingidas pelas medidas extraterritoriais e intervencionistas.


O bloqueio, medida política aplicada pelo governo dos Estados Unidos da América cria dificuldades de todo tipo ao cotidiano da população cubana, e intenta desse modo 

fomentar insatisfações sociais e solapar a unidade construida no processo revolucionário, com a intenção de mudança do regime legítimo e constitucional da República de Cuba, conforme já  declarado pelo governo estadunidense em diferentes  momentos. Para atestar o fracasso dessa política genocida que tantos sofrimentos causa ao povo de Cuba, basta dizer que vem sendo executada por sucessivos governos estadunidenses nesses quase 60 anos.


Esperamos, assim, que a Assembleia Geral das Nações Unidas aprove mais uma vez a Resolução apresentada por Cuba e faça  prevalecer os princípios básicos do Direito Internacional e o respeito à soberania e à autodeterminação da República de Cuba.


VIVA a SOBERANIA dos POVOS DO MUNDO!!!!

 ABAIXO O BLOQUEIO!!!

VIVA a REVOLUÇÃO CUBANA!!!


Em nome da equipe do Nescuba/Ceam/UnB, assinam este documento:

Jacques de Novion - coordenador 

Felipe Canova - vice coordenador

Hélio Doyle e Maria Auxiliadora César - fundadores do Nescuba


Brasília, 21 de junho de 2021

23/06/21 16:57 - CGALRJ Galarza/RJ: ‎IMG-20210623-WA0296.jpg (arquivo anexado)"

***

CUBA: AUTORIDADE EM SAÚDE * Professora Deise / RJ

CUBA: AUTORIDADE EM SAÚDE

Quando a ciência está a serviço do povo!!

Notícias de humanidade e outras possibilidades de se fazer política. Cuba anuncia a produção do seu imunizante, com pesquisas e desenvolvimento local das suas duas vacinas: La Soberana e Abdala. A ilha com população de 11 milhões de habitantes estima produzir 100 milhões de doses. O excedente será para parcerias comerciais com Irá, Venezuela, México e Argentina, e também para acordos humanitários com o Caribe (especialmente o Haiti), e países da África Subsaariana, com destaque para Serra Leoa, Ruanda, Congo, Benin, Eritreia e Libéria. A taxa de vacinação nesses países não chegou a 5% ainda. Viva Cuba!

PROFESSORA DEISE/RJ

terça-feira, 22 de junho de 2021

A hora do antiimperialismo * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT=BR

 A HORA DO ANTIIMPERIALISMO



 O CONGRESSO BICENTENARIO DOS POVOS, concebido e organizado pela PCOA - PLATAFORMA DA CLASSE OPERÁRIA ANTIIMPERIALISTA,  com total respaldo do governo venezuelano, dirigido pelo Camarada Maduro,  põe na ordem do dia a importância da denúncia, do combate e do enfrentamento às políticas neoliberais do imperialismo, sobretudo, aquele de feição estadunidense. 

O evento destaca a petulância dos agentes imperialistas contra todos os povos do mundo, desde as nacionalidades ainda sob intervenção colonialista - como Irlanda, País Basco, Palestina, entre outros, mas sobretudo, contra a classe operária, e em especial, o proletariado latinoamericano. 

E este é um momento especial, não só pela realização do Congresso, mas ainda pelas circunstâncias de desagregação generalizada em que se encontra o comando das políticas neoliberais - vide as iniciativas assistencialistas do recem empossado governo Biden - os rearranjos da liderança europeia e o ascenso a cena mundial do bloco indochinês, com a China na liderança.  

Não só por isso, mas inclusive, uma vez que a PCOA representa um salto de qualidade como expressão do movimento social organizado em nível mundial, expressão essa que reflete o grau de consciência dos povos originários, das massas hiper exploradas, do proletariado dos respectivos países e da adesão da intelectualidade militante, em especial, O CONGRESSO É UM SALDO POSITIVO.


Chega-nos informes das dificuldades enfrentadas por companheiros de diversos países que não puderam comparecer, mas com toda certeza, se sentem representados pelas centenas que conseguiram efetivar suas presenças no evento. 

Por isso e por tudo, registramos aqui as nossas saudações e os nossos aplausos ao governo do Camarada Maduro, aos Camaradas organizadores e a todos os delegados!

VIDA LONGA AOS POVOS EM LUTA!

 VITÓRIA À CLASSE OPERÁRIA MUNDIAL!!

O SOCIALISMO É VITÓRIA CERTA!!!

FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES

FRT-BR