segunda-feira, 19 de setembro de 2022

O POVO * EÇA DE QUEIROZ - Portugal

O POVO
EÇA DE QUEIROZ

Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, e se lamentam em vão.

Estes homens são o Povo.

Estes homens, sob o peso do calor e do sol, transidos pelas chuvas, e pelo frio, descalços, mal nutridos, lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua forca, para criar a pão, o alimento de todos.

Estes são o Povo, e são os que nos alimentam.

Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter o repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam o linho, o pano, a seda, os estofos.

Estes homens são o Povo, e são os que nos vestem.

Estes homens vivem debaixo das minas, sem o sol e as doçuras consoladoras da Natureza, respirando mal, comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos, curvados, e extraem o metal, o minério, o cobre, o ferro, e toda a matéria das indústrias.

Estes homens são o Povo, e são as que nos enriquecem.

Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, a neve, a chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso opulento.

Estes homens são o Povo, e são os que nos defendem.

Estes homens formam as equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado, servos mal retribuídos e desprezados.

Estes homens, são os que nos servem.

E por isso que os que tem coração e alma, e amam a Justiça, devem lutar e combater pelo Povo.

E ainda que não sejam escutados, tem na amizade dele uma consolação suprema.

domingo, 18 de setembro de 2022

MAIS UMA AGRESSÃO AO DIREITO DE MORADIA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

MAIS UMA AGRESSÃO AO DIREITO DE MORADIA

A medida judicial contra despejos estabelecida no início da pandemia do COVID 19, EM 2020, AINDA ESTÁ EM VIGOR, MAS ACABA DE SOFRER MAIS UM DESCUMPRIMENTO E COM O BENEPLÁCITO DA JUSTIÇA BAHIANA, PELAS MÃOS DO JUIZ DA GRILAGEM, como é conhecido na boca do povo o magistrado Fernando Machado Paropat Souza,
desta vez em Trancoso, distrito baiano do município de Porto Seguro.

* TODO APOIO À LUTA PELA MORADIA!
* TODO APOIO À LUTA PELA TERRA PARA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!
* ABAIXO A CRIMINALIZAÇÃO DAS LUTAS SOCIAIS!

*BAHIA | LIBERDADE PARA FLÁVIO PRATES JÁ!*

_Reivindicar não é crime, é um direito democrático! Contra a criminalização da luta social._

No extremo sul da Bahia, dia 15 de setembro de 2022, trabalhadoras e trabalhadores viveram cenas de terror ao terem suas moradias, pertences e seus corpos colocados sob a mira de bombas, cassetetes, socos, pontapés, gás de pimenta e tratores.

A ação de despejo ocorreu na Fazenda Itaquena, no distrito de Trancoso, Porto Seguro (BA), para favorecer grileiros e especuladores de terra da região.

Neste momento, o Professor, poeta e Produtor Cultural, Flávio Prates encontra-se preso ilegalmente, sob acusações falsas e infundadas. Ele foi detido, em Trancoso, em seguida transferido ao município de Porto Seguro, onde aguarda a Audiência de Custódia.

Dessa forma, prestamos toda nossa solidariedade e apoio ao Movimento de Resistência Camponesa - MRC, e exigimos a imediata soltura de Flávio. Seguimos vigilantes, denunciando toda e qualquer arbitrariedade, violações de direitos e violências com o aparato armado do Estado.

Lutar não é crime!

Pela imediata liberdade de Flávio!
MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA CAMPONESA
&
NOTA DA EXECUTIVA DO PSOL SOBRE A SITUAÇÃO NO EXTREMO-SUL DA BAHIA

Há pouco mais de duas semanas do processo eleitoral mais importante dos últimos 30 anos, cenas de violência e repressão policial se repetem sobre aqueles e aquelas que buscam sobreviver no Brasil.

No extremo sul da Bahia, dia 15 de setembro de 2022, trabalhadoras e trabalhadores viveram cenas de terror ao terem suas moradias, pertences e seus corpos colocados sob a mira de bombas, cassetetes, socos, pontapés, gás de pimenta e tratores.
A ação de despejo ocorreu na Fazenda Itaquena, no distrito de Trancoso, Porto Seguro (BA), para favorecer grileiros e especuladores de terra da região.

A ação deixou feridos e presos, cerceou a liberdade de expressão e de livre manifestação.

O documentarista Ramon Rafaello teve seus registros destruídos pela PM. Manifestantes e lideranças foram agredidas e detidas.
Neste momento, a jovem liderança Flávio Prates encontra-se preso ilegalmente, sob o martírio de acusações falsas e infundadas. Ele foi detido, com violência, em Trancoso, em seguida transferido ao município de Porto Seguro, onde aguarda a Audiência de Custódia.

Nós, da Executiva Estadual do PSOL Bahia, prestamos toda nossa solidariedade e apoio ao movimento, exigimos a imediata soltura de Flávio e seguimos vigilantes, denunciando toda e qualquer arbitrariedade, violações de direitos e violências perpetradas pelo aparato armado do Estado.

Estes deserdados da terra nada mais exigem do que o cumprimento da Constituição Brasileira, de que a terra tenha função social. Não há democracia com famintos, desabrigados e excluídos.

Lutar não é crime. Aliás, SÓ A LUTA MUDA A VIDA!
Pela imediata liberdade de Flávio!
Executiva Estadual do PSOL Bahia
*
MATÉRIA DO JORNAL "FOLHAPRESS"

Bahia cumpre reintegração de posse de área ocupada em Trancoso

JOÃO PEDRO PITOMBO
15 de setembro de 2022 5:30 PM

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - A Justiça Estadual da Bahia determinou o cumprimento nesta quinta-feira (15) de reintegração de posse na fazenda Itaquena, que fica no distrito de Trancoso, em Porto Seguro, litoral sul da Bahia.

A área foi ocupada por Movimento de Resistência Camponesa, movimento de luta pela terra e pela moradia que há cerca de três meses ergueu no local barracos de lona e casas de taipa e de madeira.

Essa é uma das três áreas que foram invadidas desde 2020 na região, que passaram a abrigar cerca de 3.000 famílias, gerando tensões, protestos e sucessivos bloqueios de estradas.

A reintegração de posse foi determinada pelo juiz Fernando Machado Paropat Souza, da Vara Cível de Porto Seguro.

De acordo com a Polícia Militar, as equipes se deslocaram para a região por volta de 6h45 desta quinta para cumprir a reintegração, mas membros do Movimento de Resistência Camponesa bloquearam o acesso à região, colocando fogo em pneus e troncos de árvores na rodovia BA-001. Um caminhão chegou a ser usado para bloquear a pista.

Uma guarnição do Corpo de Bombeiros foi acionada e, após a desobstrução da via, as equipes policiais chegaram ao local para o início da ação de reintegração.

A reportagem não conseguiu contato nesta quinta-feira com coordenador regional do Movimento Resistência Camponesa, Andro Ribeiro de Almeida.

As ocupações em Trancoso começaram em 2020. Uma das primeiras propriedades a serem ocupadas, ainda em 2020, foi a Mirante Rio Verde, fazenda de 112 hectares que fica dentro de área de preservação ambiental Caraíva-Trancoso, região com vegetação remanescente de mata atlântica.

Nos últimos quatro meses, outras áreas foram ocupadas, incluindo um terreno próximo à praia no trevo da rodovia que liga a sede de Porto Seguro a praias como Trancoso, Arraial D’Ajuda e Caraíva. No local, foram erguidas cercas e uma guarita na via de acesso à ocupação.

A ocupação dos terrenos é alvo de críticas de parte dos moradores de Trancoso, distrito com cerca de 11 mil moradores e que tem no turismo a sua principal atividade econômica.

Eles criticam a ocupação desordenada e a degradação ambiental da região, incluindo a falta de saneamento e a retirada de madeira da mata nativa para construção das moradias.

Os posseiros, por sua vez, defendem a permanência das famílias nas fazendas ocupadas e têm realizado uma série de protestos, incluindo a interrupção tráfego de vias que dão acesso às praias.

Vice-prefeito de Porto Seguro, Paulo Cesar Onishi (União Brasil), conhecido como Paulinho Toa Toa, alega que a ocupação das terras é um movimento orquestrado de caráter político e diz que a maioria das famílias instaladas na região é de fora de Porto Seguro.

Coordenador regional do Movimento Resistência Camponesa, Andro Ribeiro de Almeida afirmou há 20 dias ao jornal Folha de S.Paulo que que existe uma forte demanda por moradia na região, mas a especulação imobiliária e o avanço do turismo de luxo fazem com que as terras tenham preços proibitivos para os mais pobres.

"O fato é que quem é mais pobre não consegue viver em Trancoso. Como uma pessoa que vem para cá para trabalhar vai conseguir pagar R$ 1.500 em uma quitinete? Por isso as ocupações começaram. Ninguém gosta de morar embaixo de lona, mora porque precisa", afirma.

NOSSA SOBERANIA É ULTRAJADA * Luiz Mario Petroleiro - Dirigente sindical - RJ

NOSSA SOBERANIA É ULTRAJADA

Nossa soberania e ultrajada desde sempre e per si já seria motivo para tomarmos ações enérgicas. Os EUA espionaram a Petrobrás, a presidenta da republica Dilma Roussef conspiraram para seu impedimento cuja finalidade e abocanhar nosso petróleo, nióbio, ferro, ouro, biodiversidade, terras, empresas públicas da Embrapa a Eletrobras. A Eletrobras foi privatizada e inércia geral, qdo for a nossa total privatização não peçam ajuda aos eletricitários, povos originários, cedaeanos, lgbtia+, metalúrgicos nuclep, sem teto, universidades, ifs e cefet, quilombolas, fiocruz, negr@s, embrapa, povo em condição de rua, previdenciários, mulheres, porque muito provavelmente eles tambem sucumbirao por falta de ajuda e por não construirmos a GREVE GERAL POR TEMPO INDETERMINADO, por nova Constituição do Povo, Encampação de nossas riquezas e empresas públicas ou Referendo Revogatório de tudo que Temer e o Inominável fizeram de mal para o povo brasileiro.*
Em nossa historia tivemos encampação de empresas de energia elétrica, refinarias, ônibus do RS ao RJ, já tivemos refinaria Petrobras na Bolívia encampada e reconhecemos a decisão soberana boliviana, encampar tudo que os estrangeiros nos roubaram e obrigação!

Nestes anos tivemos a desforma trabalhista, previdenciária e tantos outros retrocessos que devem ser tratadas com a consulta ao povo, referendo revogatório, retomando os direitos roubados dos brasileiros.

Precisamos avançar em todos os segmentos, chega de submissão às oligarquias nacionais e estrangeiras.

Basta de dívida pública, auditoria nela e suspender imediatamente para investir na educação, saúde, previdência e combate à fome.

Luiz Mario Petroleiro - Dirigente sindical- RJ

Ps.: As doações as vampiras petrolíferas passam por preços abaixo do mercado obtidos por avaliações imobiliária e industrial, ilegalidades e inconstitucionalidades, isenção de impostos, etc
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CORDEL PRA FERRAR BOLSONARO
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sábado, 17 de setembro de 2022

CARLOS LAMARCA: PRESENTE ! * Emiliano José / T&D

CARLOS LAMARCA: PRESENTE ! 

Emiliano José / T&D


Quanto heroísmo. Quantos tropeços. Quantos erros. Um brasileiro, cheio de amor por sua terra, por sua pátria, seu Brasil. 50 anos depois, em 17 de setembro, lembrado com reverência

Nasceu no Estácio, em 1937. No Estácio se criou.

À mente, matéria sobre ele, “As emoções de Lamarca”, segundo semestre de 1979, publicada pela revista Isto É. Assinada por mim, Mônica Teixeira e Mariluce Moura.

Era setembro, estava no Recife, comício de Miguel Arraes, volta dele do exílio, capital pernambucana em festa recebendo as grandes lideranças políticas do país.

E vem a recordação nesses cinquenta anos do assassinato dele no sertão da Bahia. Morreu com a idade de Cristo, aos 33 anos. E a vontade é falar novamente das emoções dele, naquele momento de transe da vida brasileira, a ditadura a todo vapor, prendendo, torturando e matando, sem sinais de reação popular, em meio ao chamado “milagre brasileiro”.

Sonhou desde cedo: ser militar. Com 17 anos, ingressa na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre. Em 1957, já cursava a Academia Militar de Agulhas Negras, em Resende, no Rio de Janeiro. É aqui seu primeiro contato com as ideias comunistas. Lia avidamente os panfletos e documentos distribuídos clandestinamente pelo PCB naquela escola – rito de iniciação.

Casou-se cedo, e para completar o soldo, foi para Suez, integrar as forças da ONU, onde serve entre 1962 e 1963. Choque de realidade. Depara com a pobreza da região, e guarda dali uma convicção: tivesse de combater, seria ao lado dos árabes.

Angústia no golpe de 1964. Pouco a fazer, salvo pequena insubordinação, quando deu jeito de dar fuga, em Porto Alegre, onde estava servindo então na 6ª Companhia da Polícia do Exército, ao capitão da Aeronáutica, Alfredo Ribeiro Daudt, preso político. Pede transferência para o 4º Regimento de Infantaria (4º RI), em Quitaúna, São Paulo, onde servira pela primeira vez.

No 4º RI, inicia-se uma virada em sua trajetória. Faz contato com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e dá passos nas convicções revolucionárias. No início de 1969, a insatisfação com a vida militar agiganta-se: o papel desempenhado pela corporação na vida política do país, envolto numa ditadura violenta de responsabilidade das Forças Armadas, AI-5, tudo isso o angustiava.

Resolve jogar tudo pelos ares, e sai do Quartel de Quitaúna para sempre, enchendo a Kombi dele com 63 fuzis FAL, algumas metralhadoras, uma pistola 45, farta munição. Era o dia 24 de janeiro de 1969, final da tarde. Armas para a Revolução.

Na rua, sem lenço, sem documento, vai deparar com a real situação da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Constata: havia recebido informes idealizados sobre a situação da organização – a esquerda, em seu viés militarista, era acostumada a traçar cenários idílicos em meio a situações dramáticas, como era o caso: mais de 40 militantes presos, riscos de novas quedas, sem dinheiro para alugar novos aparelhos ou para comprar carros para ações e deslocamentos. E restavam sessenta militantes clandestinos, cuja despesa de manutenção era alta.

Um susto. Não imaginara isso.

As armas foram levadas para um aparelho no Alto da Lapa, em São Paulo, onde ficou apenas 48 horas, por risco de ser descoberta pela repressão. Antônio Espinosa, principal dirigente da VPR naquele momento, entulha uma C-14 com as armas e saiu perambulando por São Paulo. Dois dias e duas noites, armas pra lá e pra cá, risco de a qualquer hora ser parado.

Por falta de opção, as armas acabaram nas mãos da Ação Libertadora Nacional (ALN), cujo principal comandante era Carlos Marighella. Mais tarde, essas armas foram motivo de um sério desentendimento entre o capitão e a ALN. Marighella não queria devolvê-las. Acabou entregando somente uma parte.

Lamarca sentira-se atraído pela VPR sobretudo pelas ações espetaculares, a evidenciar, no olhar dele, disposição real para o enfrentamento armado à ditadura. Nascera da fusão de remanescentes do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) e de um grupo dissidente da Polop (Organização Revolucionária Marxista – Política Operária – ORM-Polop), de origem universitária.

A ele, no esforço de atraí-lo e tirá-lo do quartel, venderam gato por lebre. Os dirigentes da organização chegaram a anunciar a existência de uma área de campo para a implantação imediata do foco guerrilheiro. Era fugir do quartel, e seguir com as armas para o campo. Isso o entusiasmara. E não era verdade. Restava num primeiro momento abrigado em um aparelho no Brás, em situação precária. As quedas prosseguiam.

Cabe logo um parêntese. Fazemos uma apreciação, Oldack Miranda e eu, em Lamarca, o Capitão da Guerrilha. O erro de fundo estava na estratégia da luta armada, envolta na perspectiva foquista e militarista, equívoco completo nas condições do Brasil. Lamarca, a VPR e tantas outras organizações não se livraram da armadilha do foquismo, própria de um tempo em que o debraysmo era uma febre, acompanhado das interpretações simplistas sobre a Revolução Cubana. Mesmo as organizações envolvidas por outras estratégias de luta armada, como as inspiradas no maoísmo, não conseguiram se livrar da armadilha foquista.

O aparelho do Brás onde foi alojado abrigava também três outros companheiros muito procurados pela repressão, uma rematada loucura. Repressão descobre dois dos militantes, fora do aparelho. Um morre, e o outro, ferido, ainda consegue avisar Lamarca para se mandar do apartamento. As precariedades iam se revelando, e o cerco repressivo, também.

A ALN o acolhe, diante da absoluta precariedade da VPR naquele fevereiro de 1969. Em março, vai para a casa da diretora teatral Heleny Guariba, no Brooklin Paulista – ela será mais tarde presa, torturada na Casa da Morte em Petrópolis – é uma das desaparecidas pela ditadura.

Em abril de 1969, participa do Congresso da VPR em Monguaguá, no litoral paulista. A contragosto, aceita a condição de dirigente da organização. Zequinha, José Campos Barreto, recusa. Já havia decidido voltar a Brotas de Macaúbas, na Bahia, para começar preparativos para o foco guerrilheiro.

Lamarca, como dirigente, logo depois do congresso, ainda em abril, conhece Iara Iavelberg, ex-militante da Polop, depois de uma dissidência, até chegar à VPR. Os dois viverão uma paixão intensa, até a morte. Com participação decisiva de Iara, acontece a aproximação do Comando de Libertação Nacional (Colina) e a VPR, e em julho de 1969, a Conferência de Fusão das duas organizações, outra vez em Monguaguá. Surge a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), Lamarca novamente eleito dirigente.

Essa fusão não era bem vista por alguns, como Dilma Rousseff e Carlos Alberto Soares de Freitas. No final de agosto de 1969, no Rio de Janeiro, Lamarca é submetido a uma cirurgia plástica para modificar o rosto, por demais conhecido da repressão.

Em setembro daquele 1969, participa ativamente do congresso de fusão da VPR e Colina, realizado em Teresópolis, no Rio de Janeiro. Depois da conferência, exigia-se um congresso. Nas reuniões preparatórias do encontro, notava-se uma avaliação excessivamente otimista da VAR-Palmares.

Como se a conjuntura sorrisse para a esquerda armada. Afinal, a VAR contava com mais de trezentos militantes, centenas de simpatizantes em todo o país, e muito dinheiro para sustentar a luta, depois da desapropriação do cofre do Adhemar.

A esquerda armada cultivava o hábito de avaliações descoladas da realidade. Aqui, esquecia-se dos movimentos do inimigo. Vivia-se o pós-AI-5 e a ditadura organizava o aparato repressivo em todo o Brasil. Prendia e matava, impiedosamente.

Reconhecer: realizar aquele congresso, uma proeza. Reunir cerca de sessenta pessoas na mais absoluta clandestinidade, sob uma conjuntura de repressão intensa e realizado simultaneamente ao sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, era de fato uma façanha.

Foram intensas as discussões, e muitas as divergências, algumas quase resolvidas à bala. Lamarca, muito angustiado durante a reunião. Queria a luta armada logo, e para ele o encontro caminhava noutra direção. Lamarca saiu com seus companheiros para um canto, refundando a VPR, e o restante, a maioria, seguiu com a VAR-Palmares.

Um racha. E ele, em minoria. Registrar: Lamarca e o grupo dele eram decididamente voluntaristas, empedernidamente foquistas, doidos para ir para o campo e deflagrar a guerrilha. A VAR-Palmares caminhava no fio da navalha: tentava encontrar um meio termo entre o foquismo e a luta de massas, mas a rigor também não conseguiu se livrar do militarismo, do debraysmo.

Lamarca, então, sem paciência para aquela rotina de reuniões, aparelhos, congressos, pisa no acelerador e propõe à refundada VPR iniciar um treinamento de guerrilha de militantes no Vale do Ribeira, em São Paulo. Com a pretensão de formar quadros político-militares e, dar uma resposta à VAR-Palmares, demonstrar ser viável a luta armada.

Começa em janeiro de 1970.

Uma proeza: apesar de várias baixas, de serem obrigados a matar um tenente delator, de serem fustigados permanentemente por milhares de homens do Exército, Lamarca e mais três guerrilheiros conseguem chegar à capital paulista, na noite de 31 de maio daquele ano, sãos e salvos. O capitão respondia dessa maneira à VAR-Palmares – a luta armada era possível. Acreditava assim. Embora os resultados do treinamento não devessem necessariamente indicar expectativas de sucesso para a estratégia da luta armada.

Ao sair do Vale do Ribeira, encontra um VPR em crise profunda, acéfala. Sem condições de segurança, procura o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT). Acolhido num aparelho em Interlagos, em situação muito precária, como de hábito. Vai pra outra casa, em melhores condições, com fachada de segurança melhor, na Vila Mariana.

Permaneceu ali entre julho e novembro de 1970. Pôde estar com Iara muitas vezes, viver um pouco a paixão. E fazer muitas reuniões com dirigentes da esquerda, tentando viabilizar a proposta da Frente Armada, discutindo-se simultaneamente a necessidade de um recuo estratégico.

É, um recuo. Não sei se o nome era próprio para tal movimento, mas assim era chamado: tratava-se de mandar os muitos quadros perseguidos pela repressão para o campo. Lá, deviam deflagrar a guerrilha – sempre ela, o sonho perseguido. E deveriam seguir sob o comando do capitão, cuja permanência na cidade estava quase inviável.

O cerco da repressão se fechando. Prisões se sucedendo. VPR e ALN decidem então sequestrar o embaixador alemão, Ehrefried von Holleben. Ocorreu no dia 11 de junho de 1970. No dia 15 de junho, um Boeing 707 decola levando quarenta presos políticos. A ação foi comandada por Eduardo Collen Leite, Bacuri, preso e torturado depois por cem dias seguidos, e morto. A imprensa deu Lamarca falsamente como o comandante do sequestro.

O capitão sente o cerco apertar. Chama o MRT e propõe seja levado para o Rio de Janeiro, o que acontece numa complexa e arriscada operação. Em novembro de 1970, desloca-se para um aparelho no interior do Estado, enquanto a VPR tenta juntar cacos. Lamarca preocupado. Isolamento completo da esquerda armada. VPR destroçada, reduzida a 30 militantes. Pensa: alguma coisa está errada: prisões, torturas, mortes e um saldo político igual a zero.

Nas ruas, o povo, indiferente às mortes, à repressão. O “milagre brasileiro” acontecendo, classe média satisfeita, trabalhadores explorados, porém calados. Concluía: há uma veloz desagregação e destruição da esquerda armada.

Começa a ouvir e a se aproximar do MR-8. Dali parecia vir um pensamento mais arejado, menos militarista, não obstante fosse também defensor da luta armada. Considerava, a par das reflexões sobre os caminhos da Revolução, o quanto a repressão se especializava, e não acreditava na continuidade dos sequestros como forma de luta naquela conjuntura.

A VPR, no entanto, propõe um novo sequestro, agora do embaixador suíço, Giovanni Enrico Bucher. Lamarca concordava com as críticas do MR-8, mas cede por disciplina. Não obstante, exige: seria o comandante da ação. Pensava assim, comandando, evitar loucuras.

Dito e feito. No decorrer das negociações para a libertação de prisioneiros políticos, depois de consumado o sequestro no dia 7 de dezembro de 1970, com a ditadura recusando nomes das listas apresentadas pelos revolucionários, a maioria decide matar o embaixador.

O capitão pensa: meus companheiros estão loucos. Era ir contra a opinião pública mundial e perder a oportunidade de libertar dezenas de prisioneiros políticos. Não reluta:

– Sou o comandante, decido eu.

– Não vamos matar o embaixador.

No dia 16 de janeiro de 1971, um avião decola com setenta presos políticos em direção ao Chile de Allende. As posições de Lamarca e do restante da VPR vão se tornando inconciliáveis. Marcado estivesse pelo debraysmo, o capitão iniciava um movimento sutil de recusa da exacerbação do militarismo, tão claramente manifestada naquele sequestro. Houve movimentos no sentido de saída dele para o exterior, prontamente recusada. Iara o acompanhava na decisão, apesar de convicta do destino dos dois: seriam mortos pela ditadura. Em março de 1971, Lamarca sai da VPR.

Ingressa no MR-8. Com ele, segue apenas Iara. Acreditava em unir o trabalho de massas no campo com a perspectiva da deflagração da guerrilha rural, como a nova organização defendia. O MR-8, no entanto, também acossado pela repressão. Cai um dos principais dirigentes, Stuart Angel, em maio de 1971. Repressão acreditava: por ele, chegaria a Lamarca. Stuart morreu, e nada disse. Tornou-se um dos crimes mais rumorosos da ditadura, devido sobretudo à luta iniciada pela mãe dele, a estilista Zuzu Angel, morta mais tarde num suspeito acidente de automóvel.

Cercados – assim se encontravam Iara e Lamarca no Rio de Janeiro. No dia 27 de junho de 1971, partem em direção à Bahia. Não foram os dois para Brotas de Macaúbas, onde José Campos Barreto organizava os trabalhos junto aos camponeses. Iara seguiu para Salvador, sem saber o destino de Lamarca.

O capitão teve momentos de desconcentração no sertão. Pôde desfrutar da acolhida tão afetuosa da família de Zequinha. Ouvir o canto dos pássaros. Sentir o cheiro do mato, o aroma da caatinga. Conhecer um pouco daquela terra onde mataram Corisco e feriram Dadá. Via futuro ali para o trabalho de massas e para a deflagração da guerrilha.

Menos de três meses depois, no dia 17 de setembro, ele e Zequinha serão assassinados pelo major Nilton Cerqueira e pelo cabo Dalmar Caribé, ambos do Exército. Antes repressão já havia matado Nilda Cunha e a mãe dela Esmeraldina Cunha, em Salvador. No cerco à casa dos familiares de Zequinha, mataram Otoniel, balearam Olderico, irmãos dele, e mataram também o professor Luís Antônio Santa Bárbara. Um banho de sangue. Lamarca, quem sabe felizmente, não soube do assassinato de Iara no dia 20 de agosto.

Quanto heroísmo. Quantos tropeços. Quantos erros.

Um brasileiro, cheio de amor por sua terra, por sua pátria, seu Brasil. 50 anos depois, lembrado com reverência, ele e Iara. Amaram o Brasil, deram a vida pelo povo.

Os algozes, recordados como tais: torturadores, assassinos covardes, promotores de um tempo de terror e dor.

Pudesse, e Lamarca evocaria Brecht, carinhosamente, no memorável poema “Aos que vierem depois de nós”, depois de ouvir as críticas, justas fossem ou sejam:

Assim passou o tempo que me foi concedido na terra. Vós, que surgireis da maré em que perecemos, lembrai-vos também quando falardes das nossas fraquezas, lembrai-vos dos tempos sombrios de que pudestes escapar. Íamos, com efeito, mudando mais frequentemente de país do que de sapatos, através das lutas de classes, desesperados, quando havia só injustiça e nenhuma indignação. E, contudo, sabemos que também o ódio contra a baixeza endurece a voz. Ah, os que quisemos preparar terreno para a bondade não pudemos ser bons. Vós, porém, quando chegar o momento em que o homem seja bom para o homem, lembrai-vos de nós com indulgência.

Lamarca, presente!

ENCONTRO SINDICAL LATINOAMERICANO * (Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT)

ENCONTRO SINDICAL LATINOAMERICANO
DECLARAÇÃO DO BRASIL

REUNIÃO SINDICAL LATINO-AMERICANA EM APOIO À CLASSE TRABALHADORA DO BRASIL NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Os Trabalhadores e Dirigentes sindicais de toda a América Latina, reunidos nos dias 17 e 18 de agosto na cidade de Brasília, convocados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística – CNTTL e pela Federação Unitária de Transportes, Portos, Pesca e Comunicação na América – FUTAC, setorial na região da Federação Mundial de Sindicatos – FSM, avaliando o cenário brasileiro e latino-americano resolvem lançar a presente carta a Classe Trabalhadora e ao Povo Brasileiro.

O Debate realizado durante a REUNIÃO SINDICAL LATINO-AMERICANA EM APOIO À CLASSE TRABALHADORA E AS ELEIÇÕES DO BRASIL, possibilitou estreitar laços e aprender com as experiências da classe trabalhadora de nossa América, os avanços e retrocessos dos povos nos países que estiveram presentes neste encontro, México, Panamá, Cuba, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Argentina, Uruguai e Brasil.

Nossa América volta a experimentar ventos de mudanças e transformações, governos progressistas e de esquerda comprometidos com as pautas populares estão sendo eleitos em toda América Latina, governos eleitos com o apoio da classe trabalhadora e o movimento sindical conscientes do papel histórico em defesa da liberdade, de direitos e distribuição de renda. Onde o papel da juventude e da mulher foi e está sendo fundamental, a maior participação cidadã nas eleições presidenciais no Chile e na Colômbia demonstra isso.

O povo e a classe trabalhadora Brasileira têm em suas mãos, em 02 de outubro, o futuro ou à volta ao passado, DE UM LADO UM PROJETO que representa o aumento da miséria, da fome, do desemprego, da inflação, da violência, da tortura, do autoritarismo e da concentração de renda, representado por Bolsonaro, POR OUTRO LADO, um projeto popular que garante a democracia, o emprego e salários dignos, enfrentamento a fome, distribuição de renda, proteção ao meio ambiente, revogação das reformas trabalhista e previdenciária, além de investir em saúde, educação e segurança, este projeto representado por Lula.

Neste cenário, nós trabalhadores e dirigentes sindicais da América Latina, que tivemos reunidos em Brasília temos a clareza da importância histórica das eleições brasileiras, somaremos para derrotar o projeto fascista neoliberal que através de constantes ameaças golpistas busca a todo

Contatos da Organização: Paulo João Estausia – CNTTL (E-mail: presidencia@cnttl.org.br) / Ricardo Maldonado Olivares – FUTAC (E-mail: futacamerica@yahoo.es) / Carlos Alberto Dahmer (Litti) - SINDITAC-IJUI-RS (E-mail: sinditac.ijui@hotmail.com) / Marcos Lombardi Cuzzi – FUTAC (E-mail: lombardicuzzi@gmail.com) – Itamar Firmino da Guarda – CNTTL (E-mail: itamarbsb@cnttl.org.br) custo derrotar o povo e a classe trabalhadora brasileira.

Foi um Encontro Latino-Americano ocorrido no início da Campanha Eleitoral no Brasil, hoje na Colômbia têm o seu primeiro governo de esquerda, Chile e Argentina com presidentes progressistas no extremo sul, e outros povos da região continuam lutando contra o império pelos injustos e bloqueios financeiros criminosos e exige que a autodeterminação e a soberania sejam respeitadas, Cuba, Venezuela e Nicarágua não estão sozinhas. O México avança com a quarta transformação junto ao império, onde entre outras conquistas que a delegação mexicana nos explicou, está o Megaprojeto do Trem Maya de 1.500 km, como uma obra necessária que permite melhor conectividade e está gerando uma importante fonte de emprego.

No Encontro Latino-Americano em relação às eleições presidenciais e legislativas no Brasil em 2 de outubro, foi informados a todos que estiveram presentes, que existiu e existe uma campanha de difamação da direita que custou a prisão de LULA e a queda de Dilma, prejudicando as maiorias populares do Brasil com políticas antitrabalhistas e fascistas por parte de Bolsonaro. Mantendo o ideal da Grande Pátria, os trabalhadores da América que participam do encontro apoiam fortemente a Candidatura à Presidência do LULA.

Nós trabalhadores devemos nos preparar e o movimento sindical deve estar à altura dos desafios em toda a região, devemos desempenhar um papel político e social, devemos ser ativos e vigilantes, mantendo nossa independência e autonomia de classe, isso não significa ser neutro ou não nos envolver na política. A formação política e ideológica não só de nossos futuros líderes, mas também de nossas bases é fundamental para estarmos melhor preparados para as mudanças e transformações que nossos povos exigem e a classe trabalhadora deve promover, chegar aos espaços de poder é uma tarefa urgente, não podemos continuar deixando nosso destino para os outros.

Rejeitamos a perseguição sindical e a judicialização dos protestos e mobilizações dos trabalhadores e suas organizações no Brasil, tentando intimidar e impedir a luta com repressão e sanções econômicas.

Temos a consciência que somente com Lula na Presidência da República Federativa do Brasil, os representantes dos trabalhadores brasileiros poderão avançar nas pauta e nos interesses da classe trabalhadora, com Lula o Brasil vai enfrentar a fome, a miséria e implantará políticas públicas que atendam ao povo, reafirmamos e temos a convicção que a eleição de Lula tem importância e influência internacional nas relações capital trabalho e na garantia de distribuição de renda, por estas e outras questões declaramos apoio irrestrito a candidatura dos trabalhadores e a

Contatos da Organização: Paulo João Estausia – CNTTL (E-mail: presidencia@cnttl.org.br) / Ricardo Maldonado Olivares – FUTAC (E-mail: futacamerica@yahoo.es) / Carlos Alberto Dahmer (Litti) - SINDITAC-IJUI-RS (E-mail: sinditac.ijui@hotmail.com) / Marcos Lombardi Cuzzi – FUTAC (E-mail: lombardicuzzi@gmail.com) – Itamar Firmino da Guarda – CNTTL (E-mail: itamarbsb@cnttl.org.br) garantia da democracia no Brasil.

Unimos-nos as várias representações sindicais do Brasil que deixaram as diferenças de lado e estão unidas na busca de eleger o projeto dos trabalhadores, seguindo este ensinamento conclamamos todos os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras, como uma frase que foi composta em 1968, por Geraldo Vandré, e se tornou um “hino” contra a ditadura militar: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, façamos com as nossas mãos o destino que sonhamos o grande desafio de nossas vidas e das vidas dos filhos e netos de todos que trabalham é a eleição do metalúrgico Lula, sem medo de ser feliz com coragem de construir com nossas mãos tudo aquilo que nos diz respeito.

Lula Presidente

Viva a Classe Trabalhadora Brasileira e Internacional!

Pela Vida, Por Direitos e Democracia

18 de agosto de 2022.

Brasília – Brasil
Paulo João Estausia 
Presidente da CNTTL
Ricardo Maldonado O.
Secretário Geral da FUTAC
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Privacidade Hackeada (The Great Hack) * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

PRIVACIDADE HACKEADA
SORRIA! VOCÊ ESTÁ S ENDO MANIPULADO!!
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O documentário The Great Hack 

(em português: Privacidade Hackeada), lançado no dia 24 de julho de 2019, narra o escândalo da Cambridge Analytica, que veio à tona graças às denúncias feitas por Christopher Wylie e Brittany Kaiser. Privacidade Hackeada vem para nos mostrar como os nossos dados podem ser usados para nos manipular e para moldar a nossa maneira de pensar, como um “hack mental”.

The Great Hack não só expõe esse escândalo, ele vai muito além com uma verdade cruel e complexa, narrando a história de uma sociedade que, por viver em uma ilusão de um mundo conectado, entregou seus dados pessoais a empresas de tecnologias que os exploram em negócios multimilionários. E é nessa “realidade filtrada”, por assim dizer, que nos é entregue uma verdade cruel, a de que somos constantemente manipulados e que o nosso livre arbítrio foi hackeado.

A empresa Cambridge Analytica é descrita pelo seu ex-CEO, Alexander Nix, em um vídeo de apresentação de vendas mostrado no documentário como uma “empresa de comunicação orientada por dados”. Entretanto, como foi exposto por seus ex funcionários, esse não era o foco principal da empresa, que fazia uso desses dados — de usuários do Facebook —, sem o conhecimento deles, almejando categorizá-los a fim de, assim, oferecer maneiras mais fáceis de alcançá-los e manipulá-los.

É nesse contexto que entra Christopher Wylie e Brittany Kaiser, ex funcionários da empresa. Christopher Wylie era um cientista de dados que ajudou a montar a Cambridge e com a ajuda de Aleksandr Kogan, conhecido como “Dr.Espectro”, eles encontraram uma maneira de colher os dados dos usuários do Facebook através de um “teste de personalidade”. A outra informante, Brittany Kaiser, foi de fundamental importância na obra, colaborando com os investigadores, além de fornecer mais evidências. Kaiser, apresentada como uma das protagonista do documentário, expõe como ela e a sua equipe criaram diversos “conteúdos personalizados” para, em suas palavras, “acionar esses indivíduos”, manipulando principalmente a eleição estadunidense e diversas outras campanhas políticas do mundo.

Por fim, The Great Hack, além de ser um famoso “tapa na cara” da sociedade, nos deixa com um questionamento em mente: “Será que estou sendo manipulado?!”. E essa é a grande sacada desse documentário, o que nos leva a questionar as informações dessa realidade filtrada em que estamos inseridos.

Postagem escrita pelo voluntário do Capítulo Gabriel Lacerda.
Nave

PRIMAVERA VERMELHA * Wladimir Tadeu Baptista Soares * RJ

 PRIMAVERA VERMELHA

Aproxima-se a primavera

E um novo tempo vai chegar.

O amor renascerá das trevas

E a paz voltará a reinar.

A fome deixará de existir de novo

E o trabalhador voltará a ter proteção social. 

Discursos de ódio serão calados para sempre

E a verdade histórica prevalecerá. 

Servidores públicos serão valorizados

E o Ministério Público voltará a ser uma instituição democrática defensora da nossa Constituição e da nossa sociedade.

O SUS será melhor financiado e as Universidades Públicas terão a sua dignidade resgatada.

Concursos Públicos voltarão a acontecer 

E os preços públicos serão ajustados à nossa realidade social.

A criação de empregos estáveis será uma prioridade

E os reajustes salariais não serão nunca mais em índice abaixo da inflação.

Educação Pública será priorizada e a previdência social será revista para corrigir as injustiças que foram criadas.

Do mesmo modo, a reforma trabalhista, que foi feita toda ela privilegiando o empregador.

As indicações para o STF obedecerão critérios puramente técnicos, e tomara que inclua nomes oriundos da Defensoria Pública. 

A transparência será a regra e os gastos com cartões corporativos serão melhor fiscalizados. 

Mas para que tudo isso aconteça, não basta votar no Lula para Presidente. É fundamental também eleger um Congresso Nacional renovado e com maioria de Deputados e Senadores da esquerda, com claro compromisso social e legítima representatividade. 

Aqueles parlamentares do "centrão" têm que ser banidos para sempre do nosso Parlamento, para que o novo governo não sofra nenhuma chantagem política e possa ter autonomia para propor políticas públicas, sociais, culturais, ambientais e econômicas que atendam ao interesse público nacional.

Por isso, nas próximas eleições, o sol deverá nascer vermelho, expressando uma vontade popular soberana de mudar a nossa atual realidade para melhor.

E vai ser no primeiro turno porque o povo brasileiro não aguenta mais tanta covardia, tantas mentiras, tanta Incompetência, tanta negligência, tanta injustiça, tanta violência, tantos xingamentos e tanta corrupção posta sob um sigilo de cem anos.


Wladimir Tadeu Baptista Soares 

Niterói/Cambuci - RJ 

Nordestino 

wladuff.huap@gmail.com 

13/09/2022


sexta-feira, 16 de setembro de 2022

ALIANÇA PARA O FASCISMO: CIRO BOZO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

ALIANÇA PARA O FASCISMO: CIRO BOZO
FELIPE NETO MANDA A LETRA
WEINTRAUB ABRE O JOGO! TERREMOTO ELEITORAL À VISTA

APRECIAÇÃO DO PROF LEJEUNE MIRHAN

PODER PARALELO RIO DE JANEIRO * Anna Virginia Balloussier / José Lucena / FSP

PODER PARALELO RIO DE JANEIRO
Anna Virginia Balloussier


Milícias crescem quase 400% em 16 anos e já ocupam 10% do Grande Rio
Estudo mapeia presença de grupos armados na região metropolitana; Comando Vermelho ainda controla territórios mais populosos
13.set.2022 à 0h05

As milícias chegaram com atraso à leva de grupos armados que agem como se fossem Estados paralelos no Rio de Janeiro, mas ganharam terreno rápido. As áreas sob seu domínio cresceram 387% num período de 16 anos, pulando de 52,6 km² para 256,3 km² na região metropolitana. É como se mandassem num espaço equivalente a 64 Copacabanas, o bairro cartão-postal dos cariocas.

Os milicianos, claro, não se concentram na turística zona sul, mas sobretudo na zona oeste da capital e na Baixada Fluminense. Hoje, 10% de toda a extensão do Grande Rio está sob controle desse poder ilegal, metade de todo o território submetido ao crime.

O levantamento é fruto de uma parceria do Instituto Fogo Cruzado com o Geni (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos), da UFF (Universidade Federal Fluminense). O apanhado histórico dos grupos armados foi feito a partir do cruzamento de quase 700 mil denúncias obtidas via Disque Denúncia, sobre milícia e tráfico de drogas, com um mapa construído especificamente para esse projeto, que retrata mais de 13 mil sub-bairros, conjuntos habitacionais e favelas em toda a região.

Policial conduz homem algemado para fora de viatura

Suspeito é preso durante operação contra milícia comandada por Zinho em 25 de agosto - José Lucena -
25.ago.2022/TheNews2/Agência O Globo

O ritmo da expansão miliciana superou o de qualquer concorrente de criminalidade. São três, a saber: CV (Comando Vermelho), TCP (Terceiro Comando Puro) e ADA (Amigos dos Amigos), facções associadas ao tráfico de drogas.

A fatia geográfica dominada pelo quarteto subiu 131% desde 2008 e hoje corresponde a 20% da região metropolitana. Divide-se assim: milícias detêm 50% desse naco, CV fica com 40%, TCP subjuga 9% e à ADA resta 1%.

O pioneiro dos quatro tem mais gente sob seu controle. São 2 milhões morando em áreas sob o jugo do CV, como a Rocinha e Complexo do Alemão, com favelas de alta densidade demográfica, e a quase onipresença nas populosas Niterói e São Gonçalo.

Sua hegemonia, porém, vem murchando, enquanto a competição paramilitar dilata. Entre 2012 e 2018, a facção comandava áreas maiores e mais populosas do que todos os outros grupos (TCP, ADA e milícias) somados.

Nesse "Game of Thrones" do poder paralelo, a presença miliciana afeta territórios ocupados por 1,7 milhão de habitantes. No começo da série histórica, eram 600 mil. O aumento, portanto, foi de 185%. O CV também espichou no mesmo intervalo, mas em velocidade menor: 42%.

O próprio estudo antevê problemas no recorte populacional, por usar dados do Censo de 2010, muito desatualizados. O novo levantamento do IBGE sofreu atrasos e está sendo feito só neste ano.

Também há chances de distorção ao considerar apenas quem reside nesses locais, já que o poder paralelo também tem impacto, por exemplo, na vida de trabalhadores. Acontece se eles se locomovem em transportes clandestinos, importante filão da milícia, ou param na farmácia perto do trabalho —segundo a Polícia Civil, milicianos já controlam mais de 1.200 drogarias no Rio.

O movimento paramilitar arrefeceu um pouco após a CPI das Milícias, realizada em 2008 na Assembleia Legislativa fluminense. A comissão pediu o indiciamento de 7 políticos e outras 259 pessoas. Os milicianos voltaram a se fortalecer nos últimos anos, beneficiados por um combo de más notícias para o estado, como explica a socióloga Maria Isabel Couto (Instituto Fogo Cruzado), coordenadora do estudo junto com Daniel Hirata (Geni/UFF).

Entre 2016 e 2018, o país acompanhou traficantes se engalfinharem em violentas batalhas por controle territorial, com reflexo no Rio. "Aqui, a disputa entre PCC e CV se materializou com o investimento da facção paulista em grupos rivais do Comando e foi potencializada porque a crise fiscal, econômica e de gestão que o estado enfrentou fragilizou a capacidade de respostas do poder público", afirma Couto. "Essas mesmas condições facilitaram o crescimento explosivo das milícias."

Os anos 1960 pariram esquadrões da morte que serviram de embriões às milícias como hoje as conhecemos. O mais famoso deles, a Scuderie Le Cocq, homenageia no nome um detetive morto pelo bandido Cara de Cavalo, depois executado ao arrepio do devido processo legal.

Grupos de extermínio estiveram por trás de várias chacinas ao longo desses anos, mas o modelo miliciano clássico se fortaleceria só nos anos 2000, com policiais e ex-policiais em seu esqueleto.

Milicianos não são menos tirânicos do que traficantes, mas "se vendem como fiadores de mercadorias valiosíssimas", aponta Bruno Paes Manso no livro "A República das Milícias" (Todavia). Eles prometem ordem e parceria com a polícia, o que diminui o risco de operações policiais e tiroteios nas comunidades.

"Você tem o envolvimento direto dos agentes de segurança pública, então é por dentro do Estado que a milícia cresce, com toda a proteção e a informação privilegiada", afirma o sociólogo José Cláudio Souza Alves, pesquisador do fenômeno.

No começo, havia uma aura justiceira associada à milícia, como se ela tivesse autorização para combater a qualquer custo traficantes que inundavam as comunidades com drogas. Hoje isso é balela. "Milicianos também têm relação com o tráfico, apesar do discurso de que impediriam bandidos de crescer", diz Alves.

"O discurso ‘legitimador’ das milícias faz parte do passado", segundo Couto, do Instituto Fogo Cruzado. "Agora, milícias e traficantes atuam em parceria e fizeram um ‘intercâmbio’. A milícia vende drogas e o tráfico cobra taxas de moradores. A milícia hoje é uma grande holding, já que tem em seu modelo a detenção de ‘participação acionária’ nas atividades do tráfico."

Milicianos já se uniram ao TCP para tomar espaços da ADA e também arrendaram áreas inteiras para traficantes explorarem economicamente uma região. "Como as milícias são compostas também por servidores da administração pública, elas têm acesso a informações que valem muito", diz a socióloga.

Têm também ascendência sobre boa parte de serviços e comércio. Controlam a venda do gás de cozinha, a segurança local, a cobrança de aluguel das casas, o acesso a consultas médicas, a circulação das vans, entre outras frentes de negócio clandestino.

A atuação é quase sempre imposta na base da força. Alguém que se recuse a pagar pela proteção oferecida por milicianos, por exemplo, pode ser coibido a mudar de ideia após sofrer atentados.

Suspeita-se que algo assim aconteceu no latrocínio de um advogado de 27 anos que saía de uma roda de samba no centro do Rio. A Polícia Civil prendeu em agosto um segurança acusado de encomendar o roubo por R$ 400 para o homem que acabou esfaqueando Victor Stephen Pereira.

"Ao ampliar seu domínio territorial, a milícia amplia também sua ‘cartela compulsória de clientes’", diz Couto. "Ela atua fortemente no setor de construção civil, grilando terras, drenando e roubando areia, construindo empreendimentos imobiliários."

A cada dois anos, esse batalhão de criminosos tenta intervir no processo eleitoral, muitas vezes com êxito. Uma das táticas é permitir que apenas candidatos chancelados pela milícia façam campanha nos territórios dominados. Em última instância, chegam a matar potenciais concorrentes.

MAIS PODER PARALELO RIO DE JANEIRO
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quinta-feira, 15 de setembro de 2022

A TCHUTCHUCA DO CENTRÃO * CRISPINIANO NETO / RN

 A TCHUTCHUCA DO CENTRÃO

01

Eis o “Rei da Rachadinha”?

Valhei-me meu Santo Izidro...

Homem da Casa de Vidro

Que falou de “Gripezinha”?

É ele quem faz arminha

Destilando ódio com a mão?

Quem é mesmo o fanfarrão

Que só vive de revides?

A noivinha do Aristides,

A TCHUTCHUCA DO CENTRÃO


02

Não diga de modo claro

Seu nome, que dá azar...

Pode escrever ou falar

BozoHITLER, Bostonaro,

BolsoNAZI, Fakenaro

BolsoASNO, Capetão

BolsoNERO, Cramunhão

Genocida ou BolsoLIXO

Mas, se esquecer... chame o bicho 

DE TCHUTCHUCA DO CENTRÃO


03

Quem é o ser abjeto

Que é pai de quatro moleques,

Com mil cheques pra Micheques,

Com orçamento secreto.

Com milicos fura-teto,

Laranjada e Bolsolão,

Trator, ônibus, caminhão

Super sangrando o tesouro,

Pastores, barras de ouro?...

É TCHUTCHUCA DO CENTRÃO


04

Quem é mesmo o genocida

Que diz que não é coveiro,

Que, com discurso fuleiro

Só trabalha contra a vida?

Que aprova inseticida.

Condena vacinação,

Ora a Deus e serve ao cão,

Satânico Pai da Mentira,

“Bobo da Corte” de Lira?...

É TCHUTCHUCA DO CENTRÃO


05

Na mídia já foi taxado

De nocivo, ignorante,

Sinistro, bronco, arrogante, 

Imbecil, burro, safado,

Beócio, chucro, abestado,

Cretino, áspero, poltrão,

Bossal, inútil, ladrão,

Retardado e cavalar

Só lhe faltavam chamar

DE TCHUTCHUCA DO CENTRÃO!


06

Os sigilos de cem anos,

O atraso da vacina

Por um dólar de propina,

Medalha a milicianos

Mil discursos levianos,

Roubos de Bíblia na mão,

Engefort e Bolsolão

Uma nação miserável,

Têm um único responsável:

A TCHUTCHUCA DO CENTRÃO


07

Pazuello incompetente

Na Saúde só fez males,

Já o madeireiro Salles

Lascou ao meio, o ambiente;

Teve um quarteto demente

Destruindo a educação,

Guedes, fascista e ladrão

Fez do PIB um bangue-bangue,

Mas o chefe dessa gangue

É TCHUTCHUCA DO CENTRÃO!...


08

Odeia arte e Ciência

Em vez de livros, quer tanques,

Pra bandeira dos ianques

Baba e bate continência,

Lambuzou na decadência

O progresso da nação...

É diabo e diz que é cristão,

Sua cruz é a suástica,

Essa figura sarcástica

É TCHUTCHUCA DO CENTRÃO


09

O “Ó” do Borogodó,

Cabueta desgraçado,

Um jumento batizado,

Uma eguinha pocotó...

40 quilos de pó

Traficados num avião,

Todo dia uma mansão

Comprada em dinheiro vivo,

Este escroque tão nocivo

É TCHUTCHUCA DO CENTRÃO


10

Fome, negacionismo,

Laranjada, Cloroquina,

Motociata, rapina,

Homofobia, fascismo,

Misoginia, racismo,

Ódio, discriminação,

Milícia, submissão

Aos interesses dos maus;

Eis o resumo do caos

DA TCHUTCHUCA DO CENTRÃO.


11

Quem é o Rei das mamatas,

Da vergonha no estrangeiro,

Da lavagem de dinheiro,

Das mentiras, das bravatas,

Do fogo matando as matas,

De pastor de arma na mão,

De orçamento secretão,

Do Cartão Corporativo

Da casa em dinheiro vivo?

É TCHUTCHUCA DO CENTRÃO.


12

Príncipe dos torturadores,

Do jejum e do cinismo,

Rei do negacionismo,

Genocidas e opressores

Pedófilos, estupradores

De comprador de mansão

De assassino e ladrão,

De gente escrota e sacana,

Esgoto da raça humana

É TCHUTCHUCA DO CENTRÃO.

Vila Amazonas da Serra do Mel-RN

*CRISPINIANO NETO* em 04 de setembro de 2022

crispinianoneto@gmail.com 

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