terça-feira, 22 de junho de 2021

CONJUNTURA ELEITORAL VIA 22 * George Kunz /PCTB

CONJUNTURA ELEITORAL VIA 22



Dino e Freixo vão para o PSB.

ESQUERDA PRECISA DE PARTIDOS FORTES

NÃO DE PARTIDOS PARA CARREIRAS INDIVIDUAIS


O governador do Maranhão, Flávio Dino, e o deputado federal Marcelo Freixo, do Rio, foram para o PSB. Dino saiu do PCdoB, e Freixo do PSOL.

Tanto PCdoB quanto PSOL apresentam muitos problemas de identidade política e ideológica em relação a uma coerente política de esquerda, democrática e popular.


Mas, certamente, mesmo com suas debilidades, são siglas mais programáticas e menos fisiológicas do que o PSB.


A sigla na qual Dino e Freixo agora desembarcam teve, por exemplo, maioria de deputados federais em apoio ao bolsonarista Arthur Lira (PP-AL), cacique do “Centrão” (Direitão), para a presidência da Câmara.

Muitos dos deputados do PSB votaram a favor do golpe parlamentar do “impeachment” em 2016.


E em Recife, seu candidato eleito à prefeitura, João Campos, recebeu a adesão do MBL na campanha eleitoral. Este grupelho fascista, o MBL, aderiu a Campos numa campanha histérica e extremista de que “o PT não pode voltar, a esquerda não pode voltar, são a desgraça do Brasil”. Não foram repudiados nem sequer desmentidos.


Estes poucos episódios mostram que o “socialismo” do PSB limita-se ao nome da sigla e é um escárnio a qualquer posição efetivamente socialista.

Dino e Freixo vão para o PSB pelo que consideram conveniências eleitorais. Podem se discutir tais “conveniências”. Mas é estranho que se troque de partidos na base de supostos cálculos eleitorais.


Pelo menos é estranho ao que deva ser uma política de esquerda.

A adesão a um partido político, a dedicação de um militante de esquerda a seu partido, são atos centrais desta militância.


Um militante de esquerda sabe – ou deveria saber – que partidos de esquerda, populares, e democráticos, são essenciais à política de esquerda, à democratização profunda da vida nacional, à necessária solução dos gravíssimos problemas sociais que afetam nosso sofrido povo. E isso vale ainda mais para militantes, quadros destacados, em posição de liderança.

Então não se pode pensar em política de esquerda que fique ao sabor do “socialismo” do PSB.


NITIDEZ POLÍTICA E IDEOLÓGICA

É INDISPENSÁVEL À ESQUERDA


Freixo, na sua projetada campanha ao governo do Rio, contratou, segundo noticiado, o marqueteiro Renato Pereira para dirigir sua campanha. Entre outras, Pereira foi o idealizador do pato golpista da Fiesp, e dirigiu campanhas de Eduardo Paes, Pedro Paulo, Cabral, Pezão (todos políticos da direita do estado do Rio).


O ex-deputado do PSOL chamou Raul Jungmann, carreirista com décadas de oportunismo, ex-ministro de Temer, para elaborar seu programa de segurança.


Se tais posições não favorecem uma política democrática e popular, têm um mérito. A quem é consequentemente de esquerda interessam posições as mais claras, tornar nítido qualquer escamoteamento político.

Freixo nunca se propôs ir além de uma carreira parlamentar, ou nos marcos do jogo da política burguesa.


No entanto, tinha (ainda tem em parte para desavisados) uma imagem de ser muito à esquerda, "socialista" - fosse assim, não teria sido apoiado pela Globo contra Crivella quando foi candidato a prefeito do Rio, em 2016.

Sua saída do PSOL tem o mérito de mostrar que ele está longe de ser tão de esquerda.


Pode-se dizer o mesmo da saída de Flávio Dino do PCdoB, uma legenda pretensamente comunista. Dino sempre foi o que os comunistas chamam acertadamente de companheiro de viagem.

Cada macaco no seu galho: vale para Freixo e o PSOL, Dino e o PCdoB.


O BURACO É

MAIS EMBAIXO


Na verdade, o enorme problema da esquerda institucional brasileira é a sua grande precariedade política, ideológica, e orgânica de seus principais partidos, de base democrática e popular, PT, PSOL, e PCdoB.


Isso é obscurecido diante da unidade imperiosa da luta contra Bolsonaro.

Mesmo essa unidade não se dá com poucos percalços, viciados que estão estes partidos na mera política puramente eleitoreira, submersa nos seus mesquinhos interesses particularistas.


O peso dos mandatos governamentais e parlamentares atropela a vida democrática desses partidos.


A vida democrática interna, a ligação com as bases populares, fundamentais a partidos populares, são abandonadas em favor de interesses eleitoreiros.

No PT, por exemplo, um partido "social-democrata tardio", ocorrem fraudes em processos eleitorais internos, sem que tais “eleições” sejam anuladas ou fraudadores punidos. Decisões vitais não são tomadas pelas instâncias de direção, mas por bancadas parlamentares.


No PCdoB há uma política que não tem como centro a unidade popular, fica-se muitas vezes a reboque de um político arrivista burguês como Ciro Gomes (recordista que já passou por uma dezena de siglas partidárias), e prega-se abertamente o abandono da própria identidade comunista.


O PSOL é muito mais uma federação de tendências do radicalismo pequeno-burguês, com peso crescente não apenas da política meramente parlamentar, mas também do identitarismo (que às vezes nem de esquerda é e se contrapõe à luta de classes).


Majoritariamente a esquerda deságua na candidatura Lula, o que é bom, mas, sem resolver seus problemas programáticos, estaremos todos condenados a novas acachapantes derrotas.


Não é à toa que a própria maioria petista – apesar das convulsões permanentes em contrário de setores da esquerda petista - foge como o diabo da cruz da avaliação crítica do período 2003-2016.


Evita-se a todo custo discutir o hábito de Lula chamar patrões de companheiros, o “companheiro” Meirelles (do Bank of Boston); aberrações como Palocci (que foi pioneiro em propor o “ajuste fiscal” como emenda constitucional), o Chicago boy Joaquim Levy como ministro de Dilma (gasolina na fogueira golpista), ou os cerca de R$ 700 milhões dados pelos “governos de esquerda” à Globo.


Precisamos mais do que nunca de partidos de esquerda fortes, ideológicos, consistentes politicamente, programáticos.

Sem isso não afirmaremos o Brasil como nação, não conseguiremos uma vida digna para o nosso povo; não faremos a necessária Revolução nem alcançaremos a libertação nacional e social. A luta pelo socialismo se limitará a palhaçada retórica sem qualquer efetividade, apenas servirá à demagogia de oportunistas.

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domingo, 20 de junho de 2021

Os afazeres domésticos são "coisas de mulher?" * Nadezhda Krupskaia / Russia

OS AFAZERES DOMÉSTICOS SÃO "COISAS DE MULHER?"


N. Krupskaia: os afazeres domésticos são “coisas de mulher”?
Nadezhda Konstantínovna Krúpskaia (1869-1939) foi uma revolucionária, escritora e educadora, tendo sido destacada personalidade do Partido Comunista e do Estado Soviético. Foi esposa de Lênin, com quem se casou em 1898.

Em seu texto “Deve-se ensinar ‘Coisas de Mulher’ aos meninos?”, de 1910, ela defende que os meninos devem começar a se familiarizar com as tarefas domésticas desde cedo, da mesma forma como ocorre com as meninas. A autora entende que a escola tem um papel fundamental a realizar neste sentido.

Na análise de Krupskaia, nas famílias mais abastadas os trabalhos domésticos cabem a uma empregada contratada (cozinheira, faxineira, babá). De forma que “a mulher de posses liberta-se de tais tarefas, encarregando outra mulher que não tem, ela mesma, chance de se libertar. De uma forma ou de outra, todo o trabalho doméstico recai exclusivamente sobre a mulher. No meio operário, o marido às vezes contribui com a esposa nos afazeres. A necessidade o obriga. Ao retornar do trabalho, nos feriados, nos dias de folga, o trabalhador por vezes vai até a mercearia, varre o chão e cuida das crianças. É claro, nem sempre e nem todos fazem isso; além do mais, muitos nem sequer sabem fazê-lo (costurar, lavar), e a esposa, que às vezes também passa o dia trabalhando fora de casa, quando volta, põe-se a lavar roupa, a limpar o chão e fica até tarde da noite costurando, quando o marido há muito está dormindo. Mas se entre os trabalhadores às vezes ocorre de o marido ajudar a esposa com o trabalho doméstico, nas assim chamadas famílias da intelligentsia, por mais desprovidas que sejam, o homem nunca participa desse serviço, deixando que a esposa faça suas ‘coisas de mulher’ da maneira como ela sabe. Um ‘intelligent’ limpando o chão ou remendando a roupa branca seria alvo de gozação de todos à sua volta”.¹

A autora denuncia a hipocrisia presente no discurso de homens que anunciam “seu grande respeito pelo trabalho doméstico”, mas que jamais se rebaixam a efetivamente realizá-lo. Para Krupskaia, estes hipócritas “no fundo de sua alma, desprezam essa tarefa, consideram-na coisa de seres menos evoluídos, possuidores de necessidades mais simplórias”.¹

A revolucionária reconhece que “certos trabalhos que exigem grande força física estão acima da capacidade das mulheres”; entretanto, não há justificativa para que os homens não dividam o trabalho em casa pois “à medida que a mulher é cada vez mais forçada a também se dedicar a assegurar seu ganha-pão, os afazeres domésticos tomam um tempo adicional, e não é justo que os homens não contribuam para a sua realização. Da mesma forma, se a profissão do marido permite que ele tenha muito tempo livre, não é justo que ele considere indigno se dedicar ao trabalho doméstico em pé de igualdade com a esposa”.¹

A autora descreve o papel da “escola livre” na luta contra preconceitos e na superação do princípio da desigualdade entre homens e mulheres: “A escola livre é uma ardente defensora da educação conjunta, uma vez que considera que o trabalho coletivo e as condições iguais de desenvolvimento favorecem a compreensão mútua e a aproximação espiritual dos jovens de ambos os sexos e, assim, servem de garantia para relações saudáveis entre homens e mulheres. A partir desse ponto de vista, a escola livre, ao ensinar trabalhos manuais, não deve diferenciar crianças de sexos distintos. É preciso que meninos e meninas aprendam da mesma forma a fazer todo o necessário no trabalho doméstico e não se considerem indignos de realizá-lo”.¹

A autora descreve como, desde cedo, a desigualdade é reforçada, de maneira que “as meninas recebem a incumbência de lavar as xícaras, de arrumar a mesa”, e são presenteadas com bonecas e louças. Enquanto isso, os meninos, brincam com trens e soldadinhos. Desta forma, embora Krupskaia soubesse da necessidade de mudanças mais profundas, estruturais, na sociedade, ela não deixava de vislumbrar possibilidades de se combater certas ideias e preconceitos, e o espaço escolar tinha, em sua visão, um papel importante.

Finalizando, é interessante notar como Krupskaia estava, em muitos aspectos, à frente de seu tempo. Por outro lado, é assustador notar como muitos preconceitos do início do século XX ainda estão presentes em nossa sociedade, sendo que ideias defendidas por ela em 1910 sejam, ainda hoje, consideradas “progressistas” ou até mesmo “revolucionárias”.
Referências:
¹.KRUPSKAIA, Nadezhda. Deve-se ensinar “Coisas de Mulher” aos meninos? Disponível em: https://www.marxists.org/.../krupskaia/1910/mes/ensinar.htm
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sábado, 19 de junho de 2021

O PARTIDO FARDADO * E. P. Cavalcante¹ / RJ

 O EPÍLOGO DA TRAGÉDIA

 
EXÉRCITO BRASILEIRO NÃO É UM PARTIDO POLÍTICO


A questão Pazuello desnudou a relação entre o Exército e a sociedade brasileira.

Não temos o Exército no poder em Brasília, mas a vanguarda do “partido fardado”.

“Partido” constituído por um grupo de generais que, vestindo a farda verde oliva, teimam em transformar o Brasil em um quartel. E detestam a disciplina e a hierarquia militar. Provocando a anarquia, transformam o Exército em um bando armado.  


Para o “partido fardado”, o povo continua sendo o inimigo interno dos tempos da Guerra Fria e deve ser vigiado e combatido.


 E a soberania, a independência, o progresso do país é ideia comunista. O Brasil é um país proibido de crescer! Absurdo, mas verdadeiro!


De golpe em golpe, a colônia Brazil com “Z” se mantém fiel à colonização continuada que perdura por quase dois séculos, 198 anos. E hoje somos colônia do Império ianque, súditos do Tio Sam. 


 À frente de todos os golpes esteve sempre esta facção do Exército que, no poder pessoal, busca a honra e a glória que nunca disputou nos campos de batalha. 

E com o rolar do tempo transformou-se num “partido fardado”. 


Hoje se autoproclamam da extrema direita, ignorando que a extrema direita é o caminho que desemboca no nazifascismo. 


Mas não faz mal, pois não precisam mais utilizar os fornos de cremação como fizeram os seus predecessores nazistas em Auschwitz-Birkenau. 

O vírus Covid-19, a pandemia, evita o trabalho sujo. Como foi feito em Manaus, onde pessoas morreram asfixiadas.

 Esquecem que alguns generais nazistas foram condenados à morte por crime de genocídio pelo Tribunal de Nuremberg, e executados no noite de 16 de outubro de 1946.


Combatendo a corrupção com mais corrupção, minimizam a roubalheira e a velhacaria e se escudam no crime organizado.  O chefe do governo posa para fotos com milicianos e os defende. 

O combate à corrupção vai das “rachadinhas” ao senador que escondia 200 mil na cueca, com notas de 100 penetrando no furinho do fim da espinha. Dando razão a quem lava dinheiro, puderas!! 


 E este “partido” tem uma história.  É também a história da direita brasileira. 

Vamos aos fatos: A direita brasileira é a única, no mundo, que é antinacional. É a única que é contra os interesses do seu país. É defensora intransigente dos interesses do Império ianque.

 Mas isto é fácil de se compreender. Ora, se somos colônia, súditos do Tio Sam, prevalecem os interesses da metrópole. 


Após o golpe militar de 1964, Juracy Magalhães, um dos cardeais da direita, foi designado representante do Brazil na metrópole. Ao desembarcar em Washington declarou: “O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil!” 


A palavra nacionalismo é condenada e maldita, pois para o “partido fardado” ela é lesiva aos interesses da metrópole.


 Patriotismo pode, patriotada pode. Defender as cores da bandeira é necessário, para entregar o patrimônio nacional de cabeça erguida e o peito coberto de medalhas!


 Nacionalismo se confunde com comunismo, na concepção do “partido” dos generais, e deve ser liminarmente condenado. 


 O anticomunismo é a ideologia que alimenta o “partido”. Mesmo não existindo movimento comunista militando em lugar nenhum do mundo. Cuidado! Muito cuidado com os comunista! Alerta o “partido”.


Esquartejar a PETROBRÁR para vendê-la aos pedaços, pode. Entregar o pré-sal, pode; vender a preço de liquidação a Casa da Moeda, a Eletrobrás, o Banco do Brasil e tudo o mais; pode.  Cair de quatro diante do Trump como um rés lacaio, pode. Isto é patriotismo?


Alguns desavisados dizem: “Nós estamos arriscados a perder a nossa soberania!” 

Dizemos nunca, isto jamais acontecerá! Pois ninguém pode perder o que nunca teve. Uma colônia não pode perder a sua independência e soberania, porque não a possui.


Fica claro e evidente que, com o “partido” vigilante e aguerrido, o Tio Sam, a metrópole, não necessita ocupar a colônia com tropas metropolitanas.  


Falar em democracia e estado de direito com o “partido” dos generais dando ordens, ameaçando o poder judiciário e o legislativo com o argumento do fuzil, não faz qualquer sentido!


 Vivemos, há muito tempo, sob a égide de uma “democracia tutelada”, consentida, tolerada! 

Defender os interesses do Brasil é crime, amar ao Brasil é crime. Os que lutaram em defesa do petróleo para o Brasil, na Campanha de o Petróleo é Nosso foram presos, torturados e processados. Muitos morreram nas câmaras de torturas. Pagaram com a vida a defesa dos interesses do país. Eram nacionalistas! 

E isto vem de longe, desde os tempos de José Bonifácio, o herói da luta pela nossa independência!

 Foi perseguido, exilado, preso por seis anos na Ilha de Paquetá onde fica situada a casa que leva o seu nome e o Museu. Saiu da prisão em Paquetá para morrer poucos dias depois em Niterói.   

O seu crime, o crime de José Bonifácio, foi amar o Brasil. Querer romper com o colonialismo anglo-lusitano. Querer transformar o movimento da independência na revolução da libertação nacional. Por não aceitar a farsa do 7 de setembro!  


Conclusão: O Brasil é um país proibido de crescer, como a Alemanha de antes da Primeira Guerra Mundial. O Império Britânico e a França sentiam-se seriamente ameaçados com o extraordinário crescimento e progresso da Alemanha. 

O Brasil não pode crescer porque ameaça os interesses do Império ianque. 


Nem todas as forças armadas são “partido fardado”, nem todo o Exército é “partido fardado”. Mas toda a oficialidade está contaminada pela ideologia do anticomunismo, do fascismo: Anticomunismo, instrumento de dominação.

Mas por não ser todo ele um “partido fardado”, o Exército tem uma grande dívida com o povo brasileiro.

 A parte sadia das forças armadas tem obrigação de resolver esta equação!


1 - E. P. Cavalcante, capitão de mar e guerra ref. do Corpo de Fuzileiros Navais."

Ilha de Paquetá, junho de 2021.


MAIS SOBRE PARTIDO FARDADO

https://www.youtube.com/watch?v=p760scngiKA

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sexta-feira, 18 de junho de 2021

Impunidade e cor da pele * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

 IMPUNIDADE E COR DA PELE


O que a cor da pele encobre não tem justiça que vê. Só quem sabe o que é racismo.


A Polícia Civil prendeu no bairro de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (17), Igor Martins Pinheiro, homem suspeito de ter roubado a bicicleta elétrica de Tomás Oliveira e Mariana Spinelli. No fim de semana, viralizou nas redes sociais um vídeo em que o casal acusa pelo roubo Matheus Ribeiro, um jovem negro.
https://www.brasildefato.com.br/2021/06/17/racismo-no-leblon-rj-identificado-pela-policia-ladrao-de-bicicleta-e-jovem-branco 
VIDAS NEGRAS SIM IMPORTAM
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RAPADURA * Marcilio Godoi

  RAPADURA

MARCÍLIO GODOI

O bolsonarismo é o triunfo dos medíocres, dos incapazes, dos frustrados, dos capitãezinhos do mato. O bolsonarismo decorre de um grande ressentimento com ostracismo que a abertura democrática e a Constituição de 1988 legou a esses seres das sombras. O bolsonarismo é uma insurgência contra a PEC das domésticas ou o PNE, tomados como ofensa moral ao arraigado sentimento colonialista, escravocrata do brasileiro médio. O bolsonarismo é uma imensa mágoa com a felicidade. O bolsonarismo já existia, portanto, bem antes do capitão Cloroquina.


-TEMOS QUE DERROTAR MUITO MAIS DO QUE BOLSONARO-

E o bolsonarista não é quem apoia o atual presidente. O bolsonarista é esse herdeiro natural do Integralismo, do fascismo brasileiro, rastejante, intolerante, burro. Com Bolsonaro no poder, essa laia egoísta e sem freio está em êxtase. E não é porque Bolsonaro é um grande líder e vai implantar reformas. Não. O bolsonarista está em mania, brincando de Polícia Rodoviária numa moto, esfuziante por saber que alguém tão destituído de qualidade humana alçou alguma notoriedade. Em suma, o bolsonarista está feliz porque é um infeliz.


Funciona assim: o bolsonarista vê a atual equipe de governo sem uma só pessoa que tenha talento, informação ou brilho. Então sente que faz parte daquilo, e acolhe seus iguais. Trata-se de uma confraria de ernegúmenos, um sindicato de estúpidos obscurantistas. Um covil de milicianos, como prova a cidade do Rio, talvez o seu ninho mais violento.


500 MIL
ROSÂNGELA NASCIMENTO/RN

O bolsonarismo funciona como uma seita fundamentalista cujo mantra é odiar quem pensa, quem usa a lógica ou a inteligência. O bolsonarista, assumido ou não, sempre foi um sujeito reativo a arte, a cultura, aos estudos, ao estado democrático de direito. Miseravelmente egoísta, o bolsonarista sempre se sentiu à margem do mundo exatamente por ausência total de empatia. Agora que o mundo virou só truculência e escrotidão, ele se vê ali, realizado enfim. E faz arminha, grita mito, muito esquisito, masturba-se com as fotografias de Ulstra, Pinochet, Hitler e Mussolini, machos que o sodomizam em suas fantasias.


O que impressiona é a quantidade desses pobres diabos, surgindo dos esgotos, geralmente do nosso passado de assédios violentos tornados vingança. O bolsonarismo é o resultado do acúmulo de nossos graves erros históricos, um painel das covardias nacionais ao longo dos séculos. Por isso, combater o bolsonarismo é combater toda forma de injustiça. Do contrário, com uma cara nova, ele voltará. Na Alemanha há uma série de dispositivos técnicos legais e sociais para matar toda e qualquer manifestação hitlerista em seu nascedouro.


Aqui, o show diário de horrores, à cavalo, ema, jetski ou motocicleta, tais como invadir hospitais, humilhar motoboys, agredir mulheres, negros, lgbts e adversários políticos, aglomerar, enfiar veneno nas pessoas e nas lavouras, assim como plantar fakenews, não vai cessar, mesmo numa possível derrota eleitoral. O bolsonarismo tirou suas máscaras: assumiu-se como uma ração diária de ódio dada a esses tiozões do pavê-Sukita que estavam órfãos de uma ditadura pra chamar de sua. A internet facilita, viabiliza tudo isso. Steve Bannon é a mistura do Joseph Goebbels com a Leni Riefenstahl.


Passivos, indevidamente pacíficos, alienados, deixamos que fosse chocado o ovo da serpente, e o monstro de muitas cabeças hoje está aí, dando de comer aos corvos que comerão os cadáveres de nossos filhos com os nossos devidos impostos, se nada for feito imediatamente. A não ser, claro, que viajemos todos para Paris.


Apertem os cintos, para usar uma expressão de Brecht, referindo-se ao fascismo, a "besta imunda" vai destruir o Brasil e deixá-lo como o fim de todos os regimes autoritários de que temos notícias. O palhaço-demônio não entregará essa rapadura de volta pra gente tão fácil assim, não. "Vai ter que morrer uns 30 milhões, tu sabe disso!"


quinta-feira, 17 de junho de 2021

Milícias infestam o INCRA-RJ * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/BR

 Milícias infestam o INCRA-RJ

Cassius - INCRA-RJ

O INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, é uma autarquia federal da Administração Pública brasileira. Foi criado pelo decreto nº 1 110, de 9 de julho de 1970, com a missão prioritária de realizar a reforma agrária, manter o cadastro nacional de imóveis rurais e administrar as terras públicas da União.

No entanto, uma coisa é a lei e outra, a pena. E o que acontece, via de regra, é o desvio da função, não só de órgãos, mas de servidores, inclusive. E o INCRA não poderia ser diferente. Num passado não tão remoto, foi instrumentalizado pelos coronéis do Brasil profundo, e ajudou na grilagem de muitas terras com propriedade duvidosa ou documentação precária. Depois de algumas águas por baixo das pontes, levando corpos de vítimas, da ditadura militar inclusive, adquiriu algum status de entidade cidadã, graças à força adquirida pelo MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Mas em algumas regiões do país, por exemplo, Minas Gerais e Goiás, virou braço das UDRs - União Democrática Ruralista, milícia formada por fazendeiros, sob o comando de oligarquias poderosas, tais como os Tancredo Neves de Minas e os Caiados, de Goiás.

Mas a quantidade de vítimas acabou por afogar seus anseios políticos no mar de sangue, incluindo líderes agrícolas, religiosos, jornalistas, caciques indígenas, todos mortos pela capangagem ruralista. E por mais que os movimentos de Direitos Humanos contem com a colaboração de órgãos da imprensa nacional e internacional, esse é um setor do conflito de classes no Brasil que exige de todos nós o máximo de atenção.

Nesse período pós golpe 2016, o aumento da violência no campo tomou proporções idênticas ao período da ditadura militar. Hoje, nós trabalhadores agrícolas com terras reconhecidas, dos assentamentos, dos quilombos,  e inclusive das reservas, temos sofrido constantes ataques da grilagem,  oriunda de diversas fontes. Mas após as eleições de 2018, com a chegada do "bolsonarismo" ao governo nacional,  isso tomou proporções assustadoras, inclusive graças à manipulação através do INCRA em diversos estados. 

Vamos deixar aqui o registro apenas sobre o Estado do Rio de Janeiro, o que está acontecendo neste momento, no município de Bom Jesus de Itabapoana, com a Comunidade de Barreirinha, onde o projeto de construção de um porto põe em risco a vida da população local, passando por cima de toda a legislação pertinente.  Para isso, os interessados nesse projeto, contam com o beneplácito da Equipe do INCRA estadual, integrada pelo Superintendente Cassius 

(foto abaixo).

-Cassius, primeiro a esquerda-

A seguir, algumas fotos que dispensam texto:



Mais sobre o mesmo

JORNAL VOZ DA RESISTÊNCIA

https://www.vozdaresistencia.com.br/2021/06/16/chefe-do-incra-no-rj-posta-foto-armado-e-camponeses-veem-ameaca/ 

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Geopolítica em cordel * Alan Salles / PE

 GEOPOLÍTICA EM CORDEL

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ALAN SALLES/PE
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As guerrilhas e os movimentos insurgentes durante a ditadura militar * Otávio Vinicius De Souza, Felipe Leprose

As guerrilhas e os movimentos insurgentes durante a ditadura militar
(parte 1)
21/09/2016
Introdução:

Os movimentos de guerrilha no Brasil surgiram por volta dos anos 30 e ganharam força após o golpe militar que depôs João Goulart em 64, como forte oposição ao regime. Tinham como objetivo a libertação do país através uma revolução de viés socialista, mais especificamente Marxista-Leninista.

A interferência da Revolução Russa nos movimentos de esquerda no Brasil

A triunfante revolução russa de 1917 repercutiu fortemente na esquerda brasileira e do mundo.
Inclusive, fez com que muitos movimentos anarquistas perdessem força, pois a ideologia passou a ser tratada como utópica e incapaz de modificar radicalmente a sociedade.
Muitos movimentos anarquistas aderiram a movimentos comunistas e entregaram-se ao estudo de Karl Marx e Lenin.

Em abril do ano de 1922, na cidade do Rio de Janeiro, foi realizado o I Congresso Comunista Brasileiro.
Esse congresso resultou na unificação de vários grupos comunistas espalhados no país, com a fundação do primeiro Partido Comunista do Brasil, o PCB (Nomeado na época como PC-BIC — Partido Comunista — Seção Brasileira da Internacional Comunista).

Desde a fundação do partido a tomada de poder pela via revolucionária sempre foi o foco de sua discussão, porém isso se tornou mais evidente após a adesão do famoso líder tenentista, Capitão Luís Carlos Prestes.

A primeira tentativa de tomada de poder pela via revolucionária foi com a Intentona Comunista, em 1935.

O movimento, extremamente mal planejado e executado, só serviu para abalar ainda mais as frágeis instituições democráticas burguesas da época e foi usado como pretexto para que Getúlio Vargas instaurasse um regime de viés fascista no Brasil, o Estado Novo.

A ditadura militar e a radicalização da politica no Brasil

A ditadura militar no Brasil, que ficou em vigor durante 1964 e 1985, teve como principal meio de oposição a luta armada.

Os grupos de guerrilha intensificaram sua força principalmente após o ano de 1967, com o Ato Institucional Nº 5 (AI5) e, consequentemente, o aumento da repressão por parte do regime.

Porém, já em 1964, com o golpe que depôs Jango, Leonel Brizola já havia mostrado interesse na resistência armada contra a ditadura militar. Com isso foi criado o “Movimento Nacionalista Revolucionário” e iniciaram-se contatos com guerrilheiros cubanos, que viriam a prestar apoio financeiro à guerrilha do Caparaó.

Principais Movimentos de Guerrilha Armada Contra a Ditadura

Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8)

O MR-8 surgiu em 1964 no meio universitário da cidade de Niterói, originalmente com o nome de Dissidência do Rio de Janeiro.

Foi rebatizado em memória ao dia em que uma das principais figuras anti-imperialistas e revolucionárias da América Latina, Che Guevara, foi capturado e brutalmente assassinado na Bolívia, em 8 de outubro de 1967.

O MR-8 teve inicio efetivo na luta armada em 1968 e foi desarticulado pela repressão da ditadura militar em 1969. Os sobreviventes que ainda estavam em liberdade juntaram-se aos integrantes da Dissidência Comunista de Guanabara e juntos reconstruíram um “novo” MR-8

O movimento tomou prestígio nacional e internacional com o seu papel predominante no sequestro do embaixador estadunidense no Brasil, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, realizado em conjunto com a ALN.

A ação foi realizada para libertar seu líder, Vladimir Palmeiras, preso desde 1968.

No rastro do sequestro do embaixador, os membros do movimento foram duramente perseguidos e reprimidos, o que levou a quase extinção do grupo.

Mesmo assim, as operações armadas do MR-8 prosseguiram.

Ação Libertadora Nacional (ALN):

O grupo surgiu em 1967, com a saída de Carlos Marighella do PCB, após sua participação na conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), na cidade de Havana.

A ALN era a organização mais estruturada da guerrilha urbana e também a que, proporcionalmente, tinha o maior número de mulheres vinculadas à organização.

Os principais métodos de divulgação dos ideais comunistas à população eram panfletagens e discursos.

O objetivo da ALN era a ação objetiva e imediata do aniquilamento do regime militar, usando a luta armada e a guerrilha como modo de ação política.

Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)

Outro importante grupo de guerrilha, a VPR, formou-se em 1966, a partir da união de dissidentes da “Politica Operária” (POLOP) com militares remanescentes do “Movimento Nacionalista Revolucionário” (MNR).

Em 1970 começou a organizar uma espécie de campo de treinamento no Vale do Ribeira, em São Paulo.
Entre os principais integrantes do grupo está Carlos Lamarca, um militar desertor que foi considerado o inimigo número um da ditadura na segunda metade da década de 70. Lamarca foi perseguido pelos militares por mais de dois anos, até infelizmente ser localizado e morto no interior da Bahia.

Para financiar a luta rumo ao triunfo socialista a VPR promovia expropriações como roubo a bancos.

A VPR participou do sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em dezembro de 1970, e também foi responsável pelo sequestro do cônsul-geral do Japão em São Paulo, Nobuo Okuchi, em março do mesmo ano.

Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-PALMARES)

O VAR-PALMARES surgiu em julho de 1969, como resultado da fusão do Comando de Libertação Nacional (COLINA) com parte da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Seu nome deu-se em homenagem ao maior quilombo da escravidão.

A principal ação do movimento foi a expropriação do “cofre do Adhemar”, contendo mais de 2,5 milhões de dólares, em dinheiro, realizada em 18 de julho de 1969.

O cofre estava na residência da chamada Dr. Rui, que era secretária e amante do ex-governador de São Paulo, Adhemar Barros.

O dinheiro expropriado era fruto da corrupção do governador, que era conhecido pelo lema “Rouba, mas faz”.

Texto e revisão: Otávio Vinicius De Souza, Felipe Leprose
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quarta-feira, 16 de junho de 2021

Adorar grandes revolucionários ou aplicar na prática a política revolucionária? * George Kunz / RJ

Adorar grandes revolucionários ou aplicar na prática a política revolucionária?


Muitos grupos da esquerda levantam a figuras de grandes personalidades que atuaram no movimento revolucionário ao longo da história, como o eixo principal para a atuação na situação política atual.

Na prática, seria o que? Reconhecer religiosamente que Stalin foi um grande revolucionário, ou León Trotsky, ou Mao Tse Tung ou Ho Chi Minh etc. E supostamente essa seria a maneira para construir um partido de trabalhadores.

Quem tem experiência na militância do movimento de massas sabe que os trabalhadores têm alergia desse tipo de política pequeno burguesa. Eles já têm uma certa desconfiança dos estudantes e professores, precisamente por causa desse hippismo pequeno burguês que acha que o que eles pensam seria a realidade.

Os trabalhadores, principalmente os dos setores de ponta buscam soluções concretas aos problemas concretos. E se os revolucionários não tiverem essa consideração muito presente ao elaborar as políticas muito dificilmente irão recrutar um único trabalhador para a causa revolucionária.

A partir da política concreta, ainda aplicada na prática com sucesso, os revolucionários poderão avançar nas questões da política revolucionária, porque terão ganhado a confiança dos trabalhadores, o que somente pode acontecer num processo de luta encarniçado contra o capital, a polícia, as burocracias, a “esquerda” oficial contrarrevolucionária, a "justiça" etc.

Qual é a tarefa urgente dos revolucionários?

Neste momento, uma das peculiaridades fundamentais da situação política atual é que as organizações dos trabalhadores estão tomadas por pequeno burgueses oportunistas e corruptos. Mas a contra partida é que esses partidos nunca foram tão fracos como hoje; se encontram totalmente integrados ao sistema e não têm militantes no movimento operário. Essa situação é a primeira vez que acontece desde o movimento dos Cartistas, que atuaram na década de 1820. Isso é um problema e ao mesmo tempo abre uma avenida de oportunidades para os revolucionários

A maioria das agrupações de esquerda nem sequer é capaz de enxergam os dois lados da moeda porque não conseguem pensar de maneira dialética devido à enorme pressão pequeno burguesa

A "esquerda" oficial corrupta, junto com as máfias sindicais e dos movimentos sociais, representam o segundo principal mecanismo de contenção das lutas, após a ditadura do capital, e não têm como resistir um ascenso importante das lutas. Outros oportunistas poderão surgir, mas especificamente estes se encontram em fase terminal, como produto da sua própria formação a partir da escalada do neoliberalismo.

A aplicação da política revolucionária hoje passa por levantar as bandeiras revolucionárias e lutar efetivamente por elas, longe dos “ismos”.

Devemos lutar por um governo de trabalhadores como saída para a crise. E para acumular forças nesse sentido precisamos levantar bandeiras transitórias como:

1- cancelamento da dívida pública, 
2 - reversão das privatizações, 
3 -realização de um grande programa de obras públicas para acabar com o desemprego
4 - alocação de 15% do PIB para a saúde pública e outro 15% para a educação pública 5 -proibição de qualquer atividade relacionada com a especulação financeira
6 - revolução agrária
7 - rompimento com todas as imposições do imperialismo.